– O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, pediu “lisura e transparência” no processo de preparação das eleições gerais de 2017, para que estas “correspondam de facto à real vontade dos eleitores”.

O chefe de Estado, que em março deste ano anunciou que se retira da vida política em 2018, discursava na Assembleia Nacional, em Luanda, sobre o Estado da Nação, durante a sessão solene de abertura da quinta sessão legislativa da III legislatura, mas sem comentar o seu futuro político.

Limitou-se a começar a intervenção recordando que se deslocava ao parlamento angolano para proferir “última mensagem sobre o Estado da Nação [obrigação da Constituição] no mandato, que decorre até 2017”.

Trata-se da última sessão legislativa antes das eleições de 2017 e decorreu pela primeira vez no novo edifício-sede da Assembleia Nacional, inaugurado em novembro de 2015 em Luanda.

Aludindo aos processos do registo eleitoral, que antecede as eleições gerais e que é contestado pela oposição por serem conduzidos pelo Ministério da Administração do Território e não pela Comissão Nacional Eleitoral, José Eduardo do Santos apelou a que “se pautem pela lisura e pela transparência”.

“Para que essas eleições, a realizar em 2017, expressem e correspondam de facto à real vontade dos eleitores do nosso país”, disse.

Antes, recordou que alguns processos eleitorais em África estão a ser “convertidos” em “viveiros de instabilidade” para o continente, seja “através da contestação direta dos seus resultados, quer através da tentativa de alteração da ordem constitucional”, com “consequências imprevisíveis”.

Também por isso, José Eduardo dos Santos justificou o pedido de responsabilidade nos meses que se seguem, até às eleições gerais em Angola.

“Que cada um, com o seu voto, faça livremente a escolha dos dirigentes que entendem que devem continuar a governar o país, e que não só o Estado mas também os partidos políticos, a sociedade civil, as igrejas e todos os cidadãos assumam com responsabilidade o seu papel, para que o processo seja realmente democrático, livre e decorra com normalidade e de modo exemplar”, sublinhou o Presidente angolano, nesta mensagem, lida em cerca de 30 minutos.

Sem apontar qualquer pista sobre o seu futuro, tendo em conta o anúncio de abandono da vida política, José Eduardo dos Santos limitou-se a recordar que com a realização de novas eleições “novas propostas de candidatos aos mais altos cargos do país vão surgir”, permitindo consolidar um processo democrático “que já é irreversível” em Angola.

“Para que nele surjam e se afirmem aqueles que estejam em melhores condições de conduzir os destinos do nosso país, que eles possam corresponder à expectativa do povo angolano, no sentido de continuarem a ter uma vida cada vez melhor”, disse o chefe de Estado.