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Estados Unidos da América

EUA expulsam 35 agentes dos serviços de inteligência russos por alegada ingerência nas presidenciais

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As sanções são a resposta à alegada intervenção de "hackers" russos nas eleições que deram a vitória a Trump sobre Clinton. Trump já anunciou que se vai reunir com os serviços de inteligência.

MICHAEL REYNOLDS/EPA

A administração Obama anunciou esta quinta-feira as sanções contra a Rússia, a propósito da alegada ingerência de Moscovo nas eleições presidenciais de 2016: 35 agentes dos serviços de inteligência russos vão ser expulsos do país, avança o New York Times. Agora, têm 72 horas para abandonar os EUA. Foi ainda ordenado o encerramento de duas instalações russas sediadas no país. Donald Trump já reagiu, anunciando que se vai reunir com os serviços secretos norte-americanos na próxima semana.

As sanções, que surgem depois de a correspondência eletrónica de membros da candidatura de Hillary Clinton ter sido violada, aplicam-se ainda a cinco entidades e a seis indivíduos, incluindo vários oficiais da GRU, a organização de serviços secretos das forças armadas russas.

Num comunicado citado pelo jornal The Guardian, Barack Obama disse que os norte-americanos “devem ficar alarmados com as ações da Rússia”, prometendo não ficar por aqui.

Emiti uma ordem executiva que dá autoridade adicional para responder a determinado tipo de atividades cibernéticas que procurem interferir ou minar os nossos processos e instituições eleitorais”, afirmou o ainda presidente.

Obama emitiu sanções contra a GRU e o FSB, sucessor do KGB, dois serviços de inteligência russos, quatro indivíduos do GRU e três empresas que providenciaram material para a operação de cariz cibernético desempenhada pelos operacionais da GRU. “Além disso, o Secretário de Estado do Tesouro norte-americano está a indiciar dois indivíduos russos por terem usado meios cibernéticos para o desvio de fundos e informação pessoal”, acrescentou Obama.

Os serviços secretos norte-americanos acreditam que a Rússia possa estar por trás dos ataques cibernéticos ao Comité Nacional Democrático, à campanha presidencial de Hillary Clinton e a outras organizações políticas, pelo que Obama salientou que estas ações não compreendem a resposta total dos EUA face à intervenção “agressiva” da Rússia.

Vamos continuar a tomar uma variedade de ações num tempo e lugar à nossa escolha, algumas das quais não serão divulgadas”, concluiu.

Nos próximos dias é esperada a entrega de um relatório no Congresso sobre a alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas, que culminaram com a vitória do candidato republicano Donald Trump.

Trump reúne-se com serviços secretos

Donald Trump, que terá de decidir se mantém ou levanta as sanções já no próximo mês, foi informado da decisão no dia anterior ao anúncio público. “Acho que devíamos continuar com as nossas vidas. Acho que os computadores complicaram muito as nossas vidas. A Era do computador fez com que ninguém saiba exatamente o que está a acontecer. Temos velocidade, temos muitas outras coisas, mas não tenho a certeza que temos a segurança de que precisamos”, afirmou o republicano.

Entretanto, esta quinta-feira, Trump já se pronunciou-se sobre a expulsão dos 35 agentes dos serviços de inteligência russos. “É altura de o nosso país seguir em frente para coisas maiores e mais importantes. Ainda assim, pelo interesse do nosso país e do seu grande povo, vou encontrar-me com os responsáveis da comunidade de inteligência na próxima semana, para ser informado sobre os detalhes desta situação”, afirmou Donald Trump em comunicado.

A reação russa à decisão “hostil” e “infeliz” de Obama

Entretanto, e pouco depois de serem conhecidas as sanções norte-americanas, a Rússia reagiu através do ministério dos Negócios Estrangeiros, garantindo o seu porta-voz, Maria Zakharova, que o país irá responder a qualquer “decisão hostil” dos Estados Unidos — não adiantando quando nem em que moldes.

O mesmo afirmou o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitri Peskov, adiantando ao jornalistas que “não há alternativa às medidas recíprocas”. Mas também alertou: Putin “não tem pressa” em tomar uma decisão, qualquer que seja.

Curiosa é a reação da embaixada russa no Reino Unido. Numa curta mensagem deixada na rede social Twitter, lê-se que a decisão de Obama é uma “Cold War deja vu” (o que dispensará traduções), tendo a mensagem a imagem de um pato e a inscrição “infeliz”.

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