A Lone Star, o fundo de investimento que está na corrida pela compra do Novo Banco, acredita que é impossível recuperar os 200 milhões que o construtor civil José Guilherme — o mesmo que “ofereceu” 14 milhões de euros a Ricardo Salgado — deve à instituição. O crédito concedido pelo antigo BES ao construtor civil, e que a Lone Star dá como perdido, está entre os ativos problemáticos identificados pelo fundo de investimento e para qual reclama uma garantia do Estado, conta o Jornal de Negócios na sua edição de hoje.

A notícia, que explica também que — apesar de o empréstimo concedido a José Guilherme ter sido renegociado há cerca de um ano, o que pressupunha que o Novo Banco tivesse alguma expectativa de recuperação desta dívida –, o fundo de investimento norte-americano tem muitas dúvidas de que o construtor civil possa vir a liquidar esse crédito — o ativo tem um valor nulo, para a Lone Star. E é por isso que os norte-americanos exigem uma garantia ao Estado: se a dívida não for recuperada, então terão de ser os contribuintes portugueses a assegurar o pagamento da dívida.

O Observador contava aqui a história de José Guilherme, ou “Zé Grande”, como foi durante muitos anos conhecido este misterioso empresário do ramo da construção. Construtor da Amadora, José da Conceição Guilherme desenvolveu relações privilegiadas com Ricardo Salgado. O ex-presidente do BES chegou mesmo receber uma “liberalidade” de 14 milhões de euros do construtor, como reconhecimento pelo facto de ter aconselhado a fazer negócios em Angola, em vez de estender o seu negócio para a Europa do Leste. A ligação entre os dois é, precisamente, uma das pontas do complexo processo que envolve Ricardo Salgado. Ricardo Salgado chegou a referir-se a José Guilherme como “amigo de longa data”.

Mas a lista de ativos problemáticos identificados pela Lone Star não ficam por aqui. De acordo com o mesmo Jornal de Negócios, o fundo de investimento identificou com problemáticos os créditos concedidos a Joe Berardo, que, segundo o Correio da Manhã, chegou a ter créditos de 300 milhões, assim como os financiamentos à Ongoing, que falhou o pagamento de 493 milhões, ainda que neste último caso, o próprio branco já os tenha dado como perdidos.