É a mais recente atualização no caso da morte de Kim Jong-nam. Segundo os serviços de informação sul-coreanos, terá sido o governo do regime da Coreia do Norte que recrutou a mulher indonésia para matar o filho mais velho do ex-líder supremo Kim Jong-il. Num comunicado televisivo, o advogado sul-coreano Kim Byung-kee garantiu que terão sido membros do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Segurança Nacional a arquitetar o assassinato de Kim Jong-nam.

“O assassinato de Kim Jong-nam foi um ato de terror sistemático ordenado por Kim Jong-un”, disse Kim Byung-kee, apontando o dedo ao governo do atual líder norte-coreano, meio-irmão da vítima. “A operação foi conduzida por dois grupos de homicídio e um grupo de apoio”, detalhou, citado pela CNN.

A verdade por detrás da morte do meio-irmão do atual líder da Coreia do Norte, exilado há mais de 15 anos, ainda continua por apurar. O governo norte-coreano sempre negou qualquer envolvimento no caso, contrariando todas as acusações do governo da Coreia do Sul, que apresentam cada vez mais indícios do seu envolvimento. Tudo “notícias falsas”, segundo os oficiais norte-coreanos.

Certo é que Kim Jong-nam foi abordado por duas mulheres no aeroporto de Kuala Lumpur, onde se preparava para viajar para Macau, onde residia. As mulheres atacaram-no pelas costas com VX, um gás altamente tóxico, que levou à sua morte no espaço de 20 minutos. Morreria a caminho do hospital. Estão neste momento três suspeitos detidos, incluindo uma mulher indonésia e outra vietnamita, que foram captadas pelas câmaras de vigilância do aeroporto.

Segundo relata a CNN, no comunicado feito via televisão, o advogado sul-coreano explicou como os serviços secretos daquele país estavam a identificar os dois grupos, que terão agido “em separado” antes de se encontrarem na Malásia para dar forma ao ataque. De acordo com o advogado, o primeiro grupo seria composto por membros do departamento de segurança estatal da Coreia do Norte, onde se incluíam membros do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e terá sido este grupo o responsável pela contratação da mulher vietnamita.

O segundo grupo também seria composto por trabalhadores do gabinete de segurança nacional, tendo sido estes responsáveis pelo recrutamento da outra mulher Indonésia, de nome Siti Aishah. E, por fim, o grupo que os apoiava na operação seria ainda constituído por trabalhadores da embaixada norte-coreana na Malásia, assim como empregados da companhia aérea Air Koryo. Identificados um a um, pelos nomes, o advogado acrescentou ainda que todos estes trabalhadores estatais estão a monte, tendo fugido da Coreia do Norte depois da morte de Kim Jong-nam.