Orlando Figueira, suspeito de corrupção e um dos principais arguidos da Operação Fizz, terá emprestado 10 mil euros ao juiz Carlos Alexandre. Montante que já foi devolvido pelo magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal. Estes factos foram explicados pelo próprio juiz Carlos Alexandre em declarações prestadas como testemunha nos autos da Operação Fizz.

A notícia é avançada pelo jornal Público, que dá conta de vários detalhes desta situação. Amigos há mais de 25 anos, desde altura em que trabalharam juntos no tribunal de Vila Franca de Xira, Orlando Figueira terá ajudado Carlos Alexandre a agilizar o pagamento da construção de uma casa na sua terra natal, em Mação.

Carlos Alexandre, conta o mesmo jornal, tinha pedido um empréstimo de 100 mil euros à Caixa Agrícola para ajudar à construção da casa. No entanto, o dinheiro só era libertado em prestações e dependia dos avanços da obra. Em outubro de 2015, os responsáveis do banco concluíram que a obra não tinha avançado o suficiente para libertarem 10 mil euros que o juiz precisava para continuar a obra.

O juiz terá então desabafado com o seu amigo Orlando Figueira, que se prontificou a ajudar. De acordo com o Público, que cita o auto de inquirição de Carlos Alexandre no DCIAP, o juiz terá ainda hesitado em aceitar a ajuda de Figueira, mas, perante a insistência, acabou por aceitar a oferta. Em março de 2016, altura em que o Crédito Agrícola libertou mais uma prestação do empréstimo, Carlos Alexandre devolveu o dinheiro ao procurador.

Orlando Figueira, procurador que deixou o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) para se juntar ao BCP, é suspeito de ter recebido 760 mil euros e outras vantagens para dois processos em que se investigavam crimes de branqueamento de capitais e que envolviam Manuel Vicente, vice-Presidente angolano e ex-presidente da Sonangol. Em linhas gerais, é disso que trata a Operação Fizz, que o Observador explica aqui.

Mas terá sido no âmbito da Operação Fizz, que os investigadores que conduzem o processo detetaram uma transferência de 10 mil euros de Carlos Alexandre para Orlando Figueira. E o juiz foi chamado como testemunha aos autos do inquérito para explicar a situação.

Aos investigadores, Carlos Alexandre confirmou a transferência, explicou que o porquê desse empréstimo e garantiu que nunca teve suspeitas sobre Orlando Figueira — de resto, terá mesmo ficado surpreendido com todo o caso em torno do procurador.

De acordo com o Público, o juiz admitiu que tinha reparado que o amigo subira na vida, mas associou-o às mudanças na vida profissional de Orlando Figueira.

A notícia sobre o empréstimo de Orlando Figueira a Carlos Alexandre surge numa altura em que a Operação Marquês se aproxima de um momento decisivo: a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, decidiu definir a data de 17 março de 2017 como prazo final para terminar a investigação da Operação Marquês. Mas essa data é meramente indicativa. O facto de Zeinal Brava e Henrique Granadeiro terem sido constituídos arguidos pode atrasar a investigação.