O Estado português aceitou pagar uma taxa de 3,95% para emitir dívida com prazo de nove anos, nesta quarta-feira. No final de agosto, o último leilão com prazo semelhante, a taxa tinha rondado os 3% (3,027%), ou seja, é um aumento de um ponto percentual nos custos de financiamento do Estado em cerca de meio ano.

Este foi um dos resultados da operação de financiamento feita pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) esta quarta-feira. O IGCP emitiu 612 milhões de euros neste prazo a nove anos e, além disso, colocou mais 500 milhões em dívida a três anos com um custo implícito de 1,2%.

No conjunto das duas emissões, o Estado colocou 1.112 milhões de euros, dentro do intervalo previsto para a emissão de dívida pública marcada para esta quarta-feira.

Os custos de financiamento do Estado português têm aumentado nos últimos meses, num sinal da vulnerabilidade do país a uma viragem da maré, a nível global, nos preços das obrigações (títulos de dívida).

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A subida da inflação nos EUA e na zona euro está a tornar claro que os bancos centrais já não deverão intensificar os estímulos monetários na economia: nos EUA deve haver uma nova subida da taxa de juro de referência já em março e na zona euro a inflação já atingiu o objetivo de 2%, sinalizando que o BCE não terá margem para continuar com os estímulos (incluindo as compras de obrigações no mercado) por muito mais tempo.

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No caso português, acrescem fatores como o facto de os ratings continuarem em lixo, sem grande perspetiva de subirem nos próximos tempos, à exceção da notação da canadiana DBRS, que é o rating que segura Portugal no programa de compras de dívida do BCE, que tem sido decisivo para que Portugal mantenha o acesso aos mercados de dívida. Mas esse programa termina no final do ano e mesmo que seja prolongado por mais alguns meses, os analistas acreditam que uma eventual extensão terá sempre uma componente de redução do ritmo das compras.

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