BCE

Inflação na zona euro atinge os 2% e pressiona Draghi a acabar com os estímulos

Taxa de inflação chega aos 2%, o que significa que já está acima do objetivo do Banco Central Europeu -- organismo que, pela mão de Draghi, continua a aplicar estímulos agressivos na economia.

A taxa de inflação na zona euro atingiu os 2% em fevereiro, segundo os dados divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat. É a primeira vez em quatro anos que a subida dos preços acelera para um ritmo que já fica acima da meta do Banco Central Europeu (BCE) — que pretende uma inflação “perto, mas abaixo de 2%” no médio prazo. Isto significa que Mario Draghi e o Conselho do BCE poderá ficar sob pressão ainda maior para acabar com os estímulos monetários à economia, que foram lançados com o propósito de fazer subir a inflação, que chegou a estar perto de 0%.

O BCE tenta calibrar a taxa de inflação para um valor ligeiramente abaixo dos 2% através da política monetária. Quando a taxa de inflação se aproximou perigosamente de 0%, criando riscos de formação de uma espiral de deflação na zona euro, a autoridade monetária liderada por Mario Draghi decidiu tomar medidas como a redução das taxas de juro (diretoras, para zero, e dos depósitos, para valores negativos) e avançar com as compras de títulos de dívida pública e privada.

Com a taxa de inflação a ascender para os 2%, sobretudo graças à evolução dos preços da energia (cuja queda também tinha sido decisiva para a inflação baixa dos últimos anos), torna-se maior a pressão sobre Mario Draghi para que o programa de compra de dívida — que tem sido decisivo para o acesso de Portugal aos mercados — não seja prolongado além do final do ano e, por outro lado, para que as taxas de juro também não caiam mais.

A taxa de inflação anual em janeiro tinha-se fixado em 1,8%. Para a aceleração da subida dos preços contribuíram os preços da energia (que subiram mais de 9% face ao mesmo período do ano passado) e os preços da alimentação, bebidas e tabaco.

Excluindo estes efeitos, a chamada inflação subjacente fixou-se em 0,9%, o que, na opinião de Peter Vanden Houte, economista do ING, deverá limitar as probabilidades de o BCE alterar a política expansionista que tem vindo a ser seguida. A pressão sobre Draghi vai, certamente, aumentar, alegando que já não existe justificação para a política inédita que tem vinda a ser seguida.

“Há poucas dúvidas que o BCE vai continuar a ser criticado pela política de juros baixos, especialmente nos países do centro da Europa como a Alemanha”, diz o economista. Ainda assim, em nota enviada aos investidores, Peter Vanden Houte, do banco holandês ING, lembra que a taxa de inflação esteve abaixo do objetivo ao longo de quatro anos, pelo que Draghi deverá resistir à pressão para acabar com os estímulos de um momento para o outro. A expectativa do banco central é que o BCE alargue o programa de compra de dívida para além do final deste ano, até meados de 2018, mas com alguma redução do ritmo de compras mensais.

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