Os Bombeiros Portuenses são a corporação que este ano está a registar mais pedidos de socorro do INEM num conjunto de oito distritos a norte de Portugal, sendo 80% das emergências “doenças súbitas” como enfartes ou acidentes vasculares cerebrais.

Dados do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), avançados este sábado à Lusa, indicam que os Bombeiros Voluntários Portuenses, com cerca de 70 elementos e quartel nas imediações do nó de Francos do Porto, estão em primeiro lugar na lista das corporações com mais acionamentos de emergência médica num conjunto de oito distritos do norte e centro de Portugal, com 1.143 registos nos dois primeiros meses deste ano.

Os pedidos de socorro, também denominados de acionamentos do INEM, começam sempre por um pedido de ajuda para o número de emergência 112, uma central de emergência gerida pela polícia. O pedido é reencaminhado para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) da área geográfica que, após triagem clínica e localização geográfica, acionam os quartéis de bombeiros ou as ambulâncias do INEM.

Entrevistado pela Lusa, o comandante dos Portuenses, Ângelo Correia, explica que o maior volume de acionamentos do INEM naquele quartel relaciona-se com doenças súbitas, designadamente ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), falta de ar ou mau estar.

Em 2016, aquele corpo de bombeiros registou 4.400 pedidos de emergência por doenças súbitas, recordou Ângelo Correia.

Situações de intoxicação, de conflitos legais, situações de trauma, de acidentes rodoviários, situações de queimaduras e pré-afogamentos ou afogamentos são outras causas de acionamento de emergências registadas pelos Bombeiros Voluntários Portuenses, que em 2016 realizaram quase seis mil saídas de INEM, acrescentou o comandante.

Uma explicação para os “Portuenses” estarem no topo da lista do corpo de bombeiros com mais acionamentos de INEM

nos oito distritos mais a norte de Portugal (Aveiro, Braga, Bragança, Guarda, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu) relaciona-se com o facto de estarem inseridos numa malha urbana com “centenas de milhares de pessoas”. Advém também do facto de terem três equipas de profissionais alocadas ao serviço do INEM a funcionar desde as 07:00 às 22:00, explica Ângelo Correia, referindo que a corporação tem ainda “várias equipas voluntárias a fazerem serviço específico para o INEM”.

“Fazemos também alguns serviços para fora do concelho, principalmente para Matosinhos e Vila Nova de Gaia”, acrescenta o comandante dos “Portuenses”, que conta com 12 viaturas para serviços de saúde.

Os dados do INEM indicam ainda que o Porto é também o distrito onde há um maior número de emergências médicas em toda a região em análise, com um total de 3.268 acionamentos, entre janeiro e fevereiro num universo total de 255.440 emergências.

Os Bombeiros Voluntários de Vila do Conde contaram com 1.089 emergências. Aparecem este ano em segundo lugar na lista de mais acionamentos de emergência, logo seguidos pelos Bombeiros Voluntários de Vila do Conde, com 1.089 acionamentos.

A Guarda é o distrito onde o acionamento de ocorrências é o mais baixo de toda a região Norte, com 1.716 pedidos de ajuda nos dois primeiros meses de 2017, com os Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Foz Côa a receberem 166 acionamentos de INEM e os Bombeiros Voluntários de Meda com 121.

O segundo destes oito distritos a ter mais acionamentos nos dois primeiros meses deste ano foi o de Braga (2.717), com os Bombeiros Voluntários de Guimarães a serem a corporação mais solicitada, seguidos pelos Voluntários Famalicenses e, em terceiro lugar, os Bombeiros Voluntários de Braga.

O distrito de Aveiro registou 2.041 acionamentos de emergência, o distrito de Bragança 1.375, Viana do Castelo contou com 1.853 registos, Vila Real com 1.158 e Viseu 931.