Depois de meio ano de silêncio — tempo durante o qual escreveu as suas memórias, um processo que descreve como “catártico, excruciante e doloroso” –, Hillary Clinton falou pela primeira vez da derrota nas eleições norte-americanas. Clinton foi uma das oradoras da conferência “Woman for Woman”, uma organização não-governamental, que decorreu esta terça-feira em Nova Iorque.

Quando questionada sobre a derrota para Trump a 8 de novembro, a ex-secretária de Estado norte-americana assume a “absoluta e pessoal responsabilidade” desta. No entanto, Hillary reconhece que dois fatores externos tiveram influência na quebra do seu “momentum” [fora durante meses a favorita a vencer nas sondagens] eleitoral: o diretor do FBI, James B. Comey, e a pirataria informática russa.

Caso James B. Comey não tivesse escrito ao Congresso a 28 de outubro — uma carta na qual assumia que Hillary podia “ter violado a lei” ao ter usado um servidor privado de e-mail enquanto secretária de Estado no primeiro mandato de Barack Obama –, e caso “hackers” russos não tivessem roubado mais de dois mil e-mails do diretor de campanha de Hillary, John Podesta, e-mails que foram divulgados pelo site WikiLeaks e que dizem, na maioria, respeito a jogadas de bastidores, estratégia de campanha e discussão de passos a tomar por parte da equipa de Hillary, a ex-secretária de Estado acredita que seria hoje presidente.

“Estava perto de ser eleita presidente dos Estados Unidos até que uma combinação entre a carta de Jim Comey e a WikiLeaks criaram dúvidas na cabeça das pessoas que estavam inclinadas a votar em mim e se assustaram”.

Clinton, na “Woman for Woman”, assumiu ainda a existência de uma “interferência sem precedentes” de um líder estrangeiro — “que não é membro do meu clube de fãs” — uma referência da ex-candidata presidencial a Vladimir Putin e à interferência russa nas eleições norte-americanas.

Por fim, e garantindo que está afastada definitivamente da vida política ativa, Hillary Clinton não deixou de criticar (algo que fez pela primeira vez desde a derrota) as políticas de Trump e a sua conduta na Casa Branca. E garantiu: “Estou de regresso para ser uma ativista, parte da resistência [contra Trump]”.