A Proteção Civil deveria ter solicitado “em tempo útil” uma estação móvel do sistema de comunicações quando verificou que “a situação estava a tornar-se excecional” no incêndio de Pedrógão Grande, segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.

“A ANPC (Autoridade Nacional de Proteção Civil) ao verificar que a situação se estava a tornar excecional requisitando mais meios de combate ao incêndio, deveria também em simultâneo ter solicitado preventivamente a mobilização da estação móvel em tempo útil, mesmo antes de alguma estação rádio fixa se encontrar em modo local”, refere a SGMAI num relatório sobre o incêndio de Pedrógão Grande e o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) em 17 de junho.

O relatório, publicado esta terça-feira no portal do Governo, adianta que recebeu o pedido para ativar a estação móvel (base auto transportada com ligações satélite que permite conexão com a rede SIRESP) às 21h15 pelo chefe de gabinete do secretário de Estado da Administração Interna e da ANPC 14 minutos depois, tendo o procedimento sido ativado.

“Nesse momento era já impossível ter a EM (estação móvel) em Pedrógão Grande a tempo de ajudar a minorar as ocorrências que resultaram em mortes”, refere a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), avançando que o tempo necessário para que a EM se deslocasse e iniciasse serviço é de quatro horas.

Segundo a SGMAI, que cita a análise da ‘fita do tempo’ do incêndio da ANPC, as mortes terão ocorrido até às 22:30 do dia 17 de junho.