Os lucros do BPI subiram 77% no primeiro semestre quando se excluem dois efeitos não recorrentes importantes: custos com saídas de pessoal (reformas antecipadas e rescisões) e o facto de a participação no Banco Fomento Angola, ou BFA, (onde o BPI deixou de ser minoritário) ter deixado de ser consolidada nos resultados do banco. Metade dos resultados do BPI, porém, continuam a vir de Angola. Contudo, com o impacto das saídas de pessoal e com o ajuste contabilístico no BFA fizeram com que os resultados tenham, na realidade, sido negativos em 102 milhões de euros.

A informação foi avançada esta terça-feira pelo banco agora liderado por Pablo Forero, que ficou a liderar a instituição após a OPA do catalão CaixaBank. O banco promoveu uma conferência de imprensa em Lisboa, esta terça-feira, onde apenas estavam presentes o novo líder executivo do BPI e outro administrador, José Pena do Amaral.

BPI. Saída de 617 colaboradores custa 106 milhões e penaliza resultado semestral

Na divulgação dos resultados, esta terça-feira, o banco indicou que as contas do primeiro semestre foram penalizadas em 290 milhões de euros (após impostos) pelos dois efeitos não recorrentes — 212 milhões perdidos (em termos contabilísticos) com a desconsolidação do BFA, que passou a ser um investimento financeiro (sem controlo maioritário) e 77 milhões com o programa de rescisões e reformas antecipadas voluntárias.

“Temos a equipa que queremos ter”

O banco anunciou na semana passada o acordo para uma saída progressiva de 519 quadros do banco, dos quais 292 por reforma antecipada e 227 por rescisão por mútuo acordo.

Questionado sobre quantas pessoas se disponibilizaram para sair, Pablo Forero recusou dar números concretos. “As pessoas que se candidataram [a sair] é difícil dizer, porque o que acontece é as pessoas falarem com os Recursos Humanos, pensar, em alguns casos mudar de opinião. O que interessa é as pessoas que tomaram a decisão de sair. Houve todo o tipo de situações, não é uma estatística que seja relevante”, afirmou Pablo Forero.

Daqui para a frente, “o corte de custos não estará em pessoas mas em custos de funcionamento“, afirmou Pablo Forero, que exclui a hipótese de fazer mais planos de saída de pessoas nos próximos tempos. “Nós temos a equipa que queremos ter”, afirmou o presidente executivo do BPI.

Banco admite aumentar (novamente) as comissões

Em termos operacionais, a margem financeira desceu ligeiramente mas as comissões subiram 4,8% em comparação com o ano passado. “Fizemos uma revisão das comissões, não pensamos fazer outra mas dependemos do resto do mercado. É uma ferramenta que está lá”, afirmou Pablo Forero.

Onde o banco diz não ter problemas é no crédito em risco, ou no “crédito dudoso” (de cobrança duvidosa), como aparece no comunicado. As imparidades por crédito ficaram abaixo dos 17 milhões de euros, cerca de metade do mesmo período do ano passado, com Forero a elogiar as práticas de concessão de crédito “excelentes” dos últimos anos. “O BPI tem, provavelmente, o rácio de crédito em risco mais baixo da Península Ibérica”, elogiou Forero (5,8% de rácio de credito dudoso).

O novo presidente do BPI não se alongou em comentários sobre os planos de criar uma plataforma para ajudar os bancos com o crédito malparado. “O BPI não tem um problema de crédito malparado como o que têm outros bancos. Mas se as autoridades precisarem da nossa ajuda, da nossa colaboração, estudaremos esse pedido com toda a atenção, seja o Banco de Portugal seja o Ministério das Finanças”, afirmou Pablo Forero.

O banco conseguiu aumentar em 1,6% os depósitos de clientes (para 19.754 milhões de euros), mas onde houve um aumento expressivo foi nos fundos de investimento — 19,9% para 5.244 milhões, algo que o banco justifica com as baixas taxas de juro na zona euro, que leva as pessoas a procurarem um pouco mais de risco e a opção, em muitos casos, vai para os fundos de investimento.