Saiu para aquecimento na segunda parte da receção do Mónaco ao Caen e foi chamado ao banco por Leonardo Jardim a poucos minutos do fim. Equipou-se à pressa, ouviu as indicações do técnico, partiu para a linha de meio-campo e viu subir a placa das substituições: 4 a vermelho, 29 a verde. Sai Fábio Coentrão, entra Kylian Mbappé. Estávamos a 2 de dezembro de 2015 e o avançado tornava-se o mais novo de sempre a estrear-se na Ligue 1 pelo Mónaco, com apenas 16 anos e 347 dias, superando Thierry Henry. Sempre Henry, o dianteiro que foi campeão mundial e europeu. Aquele com quem todos o comparam. Mas que não é o seu ídolo.

Tal como o antigo avançado de Mónaco, Juventus, Arsenal, Barcelona e New York Red Bulls, Mbappé, nascido em Bondy, o seu primeiro clube onde era orientado pelo pai, começou a destacar-se na Academia de Clairefontaine. Se há viveiro no futebol europeu é ali. Mais exemplos? Anelka, Saha, Giroud, Matuidi, Benatia, Diaby ou Ben Arfa. O Centro Técnico Nacional Fernand Sastre, como é conhecido, é uma das 12 escolas de elite da Federação Francesa de Futebol espalhadas pelo país e concentra os maiores talentos da região a partir dos 13 anos e com nacionalidade gaulesa. Mas já antes Mbappé dava nas vistas, ao ponto de ter despertado a atenção de equipas como Manchester City, Liverpool, Bayern ou Chelsea, tendo mesmo chegado a representar os blues num jogo teste contra o Charlton, quando esteve à experiência em Londres com 11.

Mas de quem ele gostava mesmo era do Real Madrid. Ou de Cristiano Ronaldo. Ou de um Real Madrid com Cristiano Ronaldo. Por isso, não mais esqueceu a viagem que fez a Valdebebas, centro de estágio dos merengues, em dezembro de 2012, quando acabara de cumprir 14 anos. Como o pai mais tarde assumiu, Mbappé tinha o quarto forrado com posters do internacional português e passava horas a fio a ver vídeos do número 7 para tentar ser melhor. Ainda assim, preferiu ficar em França, considerando ser a melhor opção para o desenvolvimento como jogador. Assinou pelo Mónaco. Mas não esqueceu o Real. Até o dinheiro falar mais alto.

“O meu sonho é jogar no Real Madrid. O melhor é apontar à lua porque se falhar chego às nuvens”, disse numa entrevista ao Libération em 2014. Depois de chegar às nuvens pelo Mónaco, após uma temporada fabulosa onde ganhou a Ligue 1 e chegou às meias-finais da Champions, está perto da lua. No entanto, aquilo que o jornal Marca chegou a avançar como uma certeza pode não ser bem assim. Porque existe o PSG.

De acordo com o jornal L’Équipe, os franceses podem avançar com uma proposta de 180 milhões de euros para garantirem o prodígio gaulês, apenas uma semana depois de terem pago 222 milhões por Neymar. Depois da loucura, é a loucura completa. Existe mesmo a informação das reuniões entre os responsáveis do PSG (com Antero Henrique à cabeça), o empresário Jorge Mendes e o pai do avançado, anunciadas pela Gazzetta dello Sport. E a Marca, que dá o negócio como certo por 160 milhões de euros mais 20 milhões variáveis, já fala até do próximo “ataque”: Oblak (e o almoço do proprietário do PSG, Nasser Al-Khelaifi, em Madrid ajuda nos rumores que se foram adensando ao longo do dia).

No entanto, Real Madrid, Manchester City e Barcelona ainda estarão na luta pelo jogador. E o facto de um canal ligado aos donos do PSG ter negado a transferência de Mbappé para o clube acalenta esperança.

Filho de Wilfried, camaronês que é treinador de futebol (e também seu agente), e de Fayza, argelina que jogou andebol, Mbappé é o jogador de moda. Rápido, objetivo, goleador. Sobretudo, um avançado e uma pessoa que não conhece limites por confiar de forma ilimitada nas suas capacidades mas que também não deixa de ter os pés bem assentes da terra. “Eu descubro, eu aprendo”, costuma dizer sobre a evolução meteórica.

Em termos de números, não há muito para dizer: fez um golo em 14 jogos na primeira época nos seniores, em 2015/16, e “rebentou” na última temporada, com um total de 26 golos em 44 encontros. Sagrou-se campeão de França em maio, depois de ter conquistado o Campeonato da Europa Sub-19 em 2016 – para azar de Portugal, a quem marcou dois golos no triunfo gaulês frente à Seleção Nacional por 3-1.