A imprensa norte-americana já lhe chama a revolta dos CEOs, mas vai muito além disso. Na segunda-feira, o presidente-executivo da Walmart criticou o presidente Donald Trump numa carta enviada aos seus mais de 1,5 milhões de funcionários. A mensagem de Douglas McMillon, citada pelo New York Times, surgiu depois de seis conselheiros terem abandonado o Conselho Consultivo para a Indústria de Trump na sequência dos acontecimentos de Charlottesville. Já são nove os conselheiros a abandonar Trump nos últimos meses: seis por causa da reação do Presidente a Charlottesville, dois por Trump ter rompido com os acordos de Paris e um por a administração aprovar o polémico “travel ban”.

Voltando ao Walmart, o CEO do maior retalhista do mundo escreveu, na carta enviada aos funcionários, que o Presidente Trump — na resposta aos acontecimentos de Charlottesville — “perdeu uma oportunidade importante para ajudar a unir o nosso país rejeitando inequivocamente as repugnantes ações dos supremacistas brancos.”

A líderes empresariais, juntam-se líderes sindicais. Também o líder da AFL-CIO — o maior sindicato do país, que representa 12,5 milhões de trabalhadores — abandonou o Conselho Consultivo da Indústria da Casa Branca, após Donald Trump ter feito na terça-feira novas declarações sobre Charlottesville, onde defendeu que “há culpa dos dois lados” nas manifestações do último fim-de-semana. Ou seja: tanto do lado dos supremacistas brancos, como nos manifestantes contra a extrema-direita.

O líder do maior sindicato norte-americano, Richard Trumka, explicou num comunicado publicado no Twitter não podia “continuar a sentar-se num órgão de aconselhamento de um presidente que tolera o fanatismo e o terrorismo doméstico”, e admitiu que as declarações de terça-feira foram a “gota de água”. Com Trumka saiu também a antiga vice-presidente da AFL-CIO, Thea Lee, que tinha igualmente assento no conselho.

A nova vaga de saídas de conselhos de Trump começou na segunda-feira quando o CEO da Merck, Kenneth Frazier, abandonou o mesmo Conselho Consultivo da Indústria de Donald Trump, declarando: “Os líderes da América têm de honrar os nossos valores fundamentais rejeitando de forma clara a expressão do ódio, do xenofobismo e da supremacia de um grupo, que são contrários ao ideal americano de que todas as pessoas nascem iguais.” No mesmo dia também Kevin Plank, CEO da Under Armour, e Brian Krzanich, da Intel, deixaram o conselho.

Já são 9 CEOs ou líderes sindicais abandonaram os conselhos consultivos de Trump. Do Conselho Consultivo da Indústria de Trump já saíram:

  • Kenneth Frazier, CEO da Merck, após acontecimentos de Charlottesville;
  • Kevin Plank, CEO da Under Armour, após acontecimentos de Charlottesville;
  • Brian Krzanich, CEO da Intel, após acontecimentos de Charlottesville;
  • Richard Trumla, líder da A.F.L-C.I.O., após acontecimentos de Charlottesville;
  • Thea Lee, ex-vice-presidente da A.F.L.-C.I.O., após acontecimentos de Charlottesville;
  • Scott Paul, presidente da Aliança para a Indústria Americana, após acontecimentos de Charlottesville;
  • Elon Musk, CEO da Tesla, após Trump romper com o Acordo de Paris.

Do Forum de Estratégias e Políticas já saíram:

  • Bob Iger, CEO da Disney, após Trump romper com o Acordo de Paris;
  • Elon Musk, CEO da Tesla, após Trump romper com o Acordo de Paris;
  • Travis Kalanick, fundador da Uber, após Trump impor restrições de imigração para alguns países do Médio Oriente.