O Ministério Público abriu um inquérito às viagens de políticos à China pagas pela empresa Huawei. A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou ao Observador que “os elementos recolhidos foram enviados ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa para inquérito“. A PGR já tinha revelado, a 1 de agosto, que estava a “recolher elementos” na sequência das notícias do Observador, mas agora adianta que o inquérito já está a decorrer no DIAP em fase de “investigação”.

A empresa Huawei pagou viagens à China (a alguns voos, a outros voos e estadia) a diversos responsáveis políticos e titulares de cargos públicos. Até agora o Observador apurou que viajaram à China o vice-presidente da bancada do PSD, Sérgio Azevedo, o presidente da junta de freguesia da Estrela, Luís Newton, o presidente do PSD/Oeiras, Ângelo Pereira, o vice-presidente do PSD/Oeiras, Nuno Custódio, o presidente da câmara municipal de Oeiras, Paulo Vistas, o vice-presidente do PSD/Lisboa, Rodrigo Gonçalves, e um ex-diretor do Instituto de Informática da Segurança Social, João Mota Lopes.

O caso ‘Huaweigate’ até já fez na quinta-feira uma baixa nos gabinetes do Governo de António Costa. O adjunto do secretário de Estado das Comunidades, Nuno Barreto, tinha feito uma viagem à China com a estadia paga pela empresa chinesa em janeiro de 2017, já depois de o Governo ter aprovado um Código de Conduta que proíbe governantes e membros de gabinetes de aceitarem ofertas superiores a 150 euros. Após a notícia do Observador, o ministério dos Negócios Estrangeiros acabaria por confirmar que “tendo o adjunto Nuno Miguel Jorge Barroso de Almeida Barreto colocado o seu lugar à disposição do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, foi o mesmo exonerado, nesta data, das suas funções”.

A investigação vai igualmente bater em outro caso paralelo noticiado pelo Observador, que está relacionado com alguns dos atos de gestão de três juntas de freguesia lideradas pelo PSD no concelho de Lisboa que — entre avenças e contratos atribuídos por ajuste direto a empresas de militantes do partido — gastaram, no total, mais de um milhão de euros desde o início do mandato.

Em causa estão atos como adjudicar o tratamento de jardins de Lisboa a uma empresa com sede em Barcelos de um “amigo” do partido por 13.530 euros/mês, contratar a prima para coordenadora da área que se tutela na junta, ligar a um amigo para montar um gabinete de comunicação porque é mais rápido, não publicitar ajustes diretos de centenas de milhares de euro ou contratar a empresa do presidente do seu núcleo no partido, do qual o próprio é o vice-presidente.