Os líderes do Partido Liberal (FDP) e dos Verdes manifestaram esta segunda-feira abertura para integrar uma coligação liderada pela União Democrata-Cristã (CDU) de Angela Merkel, mas advertiram que há diferenças políticas entre ambos que vão complicar as negociações. A CDU venceu as legislativas de domingo na Alemanha com 33% dos votos.

O Partido Social-Democrata (SPD, 20,5%), seu parceiro de coligação dos últimos quatro anos, anunciou que não pretende repetir a “grande coligação” e quer antes liderar a oposição.

A CDU afastou quaisquer conversações com a extrema-direita da Alternativa para a Alemanha (AfD, 12,6%) ou a extrema-esquerda do Die Linke (9,2%), pelo que a alternativa é a “coligação Jamaica”, assim chamada porque as cores da bandeira jamaicana são as mesmas dos três partidos: CDU (preto), FDP (amarelo) e Verdes (verde). A CDU elegeu 246 dos 703 deputados do parlamento federal (Bundestag), o FDP 80 e os Verdes 67.

Depois de três mandatos e 12 anos no poder, Angela Merkel guardou o mais difícil para o fim

O líder do FDP, Christian Lindner, afirmou à imprensa que o partido está disposto a negociar e a assumir responsabilidades, mas acrescentou que o seu objetivo é “mudar a orientação da política” e marcar diferenças.

Se o novo Governo quiser seguir a linha do anterior, em que a CDU estava coligada com o SPD, os Liberais preferem estar na oposição, disse Lindner, que descreveu o seu partido como “a força do centro”. Negociar com os Verdes, prosseguiu Lindner, será difícil, sobretudo devido às diferenças na área ambiental. Para o FDP, a atual política não é sustentável económica, ecológica ou socialmente e deve ser corrigida.

Os cabeças de lista dos Verdes, Katrin Göring-Eckardt e Cem Özdemir, asseguraram também hoje que aceitam conversar “com responsabilidade e seriedade” com conservadores e liberais, mas preveem negociações “muito difíceis”. Política ambiental, justiça social e solidariedade europeia são, para os Verdes, as questões centrais.