O Governo está a equacionar pedir a alguns agricultores que alterem as próximas culturas que exigem o consumo de muita água por outras que precisem de menos água. Tudo por conta da seca que deverá agravar-se nos próximos meses, com o Instituto de Meteorologia a prever temperaturas acima da média até ao final do ano e baixa precipitação.

“Este ano tivemos na bacia do Sado problemas com o arroz. Temos culturas, como o tomate, o melão e alguns cereais que são espécies adotadas para regadio, e nesses casos o que vamos fazer é pedir que se faça uma substituição na sementeira para o próximo ano em determinadas regiões”, disse à Rádio Renascença o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, acrescentando que “o pior que se podia fazer era as pessoas avançarem para sementeiras e daí a pouco perderem os custos da sementeira”. Mais na condicional, e citado pelo DN (link ainda não disponível), Carlos Martins, afirmou que “podemos chegar ao ponto de recomendar aos agricultores que não cultivem algumas espécies na próxima época”.

O problema da falta de chuva, e as consequências que daí resultam para os solos, está à vista de todos, mas o governante, que participou, na segunda-feira, na reunião permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, destaca outros pontos que agravam a situação de seca, sobretudo no interior do país, como “um número muito elevado de captações, nomeadamente para fins agrícolas” que provocam “um rebaixamento dos níveis freáticos e coloca em perigo aquilo que são as disponibilidades das águas subterrâneas para os locais que dependem exclusivamente destas para os vários usos”.

Um terço das barragens está com um armazenamento de água inferior a 40%

A disponibilidade hídrica das albufeiras voltou a descer em setembro. Das 60 albufeiras monitorizadas pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, três apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 23 têm disponibilidades inferiores a 40% do total. Segundo o secretário de Estado do ambiente, Carlos Martins, citado pelo DN e pelo JN, há mesmo 17 em “situação crítico de armazenamento” e as “reservas subterrâneas estão a diminuir”. E, adiantou, se não fosse a Barragem do Alqueva, Portugal “estaria numa situação drástica sem poder minimizar os efeitos da seca”.

Mais crítico, o Sado apresenta um armazenamento de 18,2% contra uma média de 42,6%. No Oeste, a percentagem é de 43,6%, no Lima 51,4% e no Mondego 52,5%, enquanto o Mira tem 55,9%.

No próximo mês, caso não chova, a Barragem de Fagilde vai mesmo entrar num estado crítico e, se assim for, os concelhos de Viseu, Mangualde, Nelas e Penalva do Castelo podem mesmo vir a ficar sem água, como escreve o JN, citando o secretário de Estado.

Em setembro, a maior parte dos armazenamentos por bacia hidrográfica apresentam-se inferiores às médias de armazenamento deste mês no período de referência (1990/91 a 2015/16), sendo as exceções Cávado/Ribeiras Costeiras, Ave e Arade. O Cávado, regista 62,1% da sua capacidade, o Ave de 56,8% e o Arade 45,2%.