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O homem que foi diretor de campanha de Donald Trump, Paul Manafort, entregou-se esta segunda-feira ao procurador do departamento de Justiça Robert Mueller, o mesmo que está a supervisionar a investigação às supostas interferências russas nas eleições presidenciais. Em causa estão acusações pelos crimes de conspiração contra os Estados Unidos, conspiração para lavagem de dinheiro e falsos depoimentos, segundo o Washington Post.

De acordo com a imprensa norte-americana, Manfort entregou-se depois de ter tido conhecimento, junto de fonte próxima da investigação, que estavam para ser conhecidas esta segunda-feira as primeiras acusações sobre o caso que está a ensombrar a presidência de Donald Trump. E não é o único acusado que foi conhecido esta segunda-feira, o outro é Rick Gates, o seu sócio de há muitos anos que também colaborou na campanha de Trump. Além destes dois acusados, houve ainda um antigo conselheiro de Trump, George Papadopoulos, a declara-se culpado, por ter prestado depoimentos falsos e ter omitido provas ao FBI, “relativos a interações, durante a campanha, com contactos estrangeiros, incluindo russos”, refere a acusação revelada pela CNN.

Entretanto, Trump já reagiu às acusações, através da sua conta oficial de Twitter. O presidente norte-americano escreveu: “Desculpem, mas isto foi há anos, antes de Paul Manafort ter feito parte da campanha Trump”. E ainda questiona por que motivo é que o “foco” da acusação não é Hillary e os democratas. E noutro tweet ainda acrescenta: “E não há conluio!”.

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O New York Times mostra a parte da acusação a Manafort e Gates onde está explicado que o crime de lavagem de dinheiro se refere a “dezenas de milhões de dólares” que os dois terão recebido, enquanto agentes não oficiais do Governo ucraniano de Viktor Yanukovych, mas sem declarar. “Para esconderem os pagamentos do Governo ucraniano, entre 2006 e 2016, Manafort e Gates lavara, o dinheiro através de companhias e parcerias internacionais e contas bancárias”, escreve a acusação.

Ainda em julho passado, o FBI promoveu buscas na casa do ex-diretor de campanha de Trump, para procurar documentação fiscal e bancária de Manafort.

Investigação à interferência Rússia pressiona Trump, que ataca Hillary em resposta

Paul Manafort é o primeiro elemento da equipa de campanha do atual presidente norte-americano que estará a ser acusado pelo possível envolvimento na interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016. E uma das principais suspeitas da investigação esteve sobretudo relacionada com o cargo de consultor que desempenhou, imediatamente antes de se juntar a Trump, junto do Governo ucraniano liderado por Viktor Yanukovych.

FBI fez buscas na casa de antigo diretor de campanha de Donald Trump

George Papadopoulos, ex- assessor de campanha de Donald Trump, acaba de admitir que mentiu aos agentes federais que o questionaram sobre a possibilidade de terem existido ligações entre a Rússia e a campanha de Trump. Segundo avança o The Guardian, Papadopoulos terá mentido em várias ocasiões:

O ex-assessor terá dito inicialmente que se tornou amigo de um “professor” de Londres (não identificado), que tinha “ligações substanciais” ao governo russo, antes de ter sido escolhido para fazer parte da campanha de Donald Trump. Esta história já foi corrigida, tendo o mesmo Papadopoulos informado que o tal professor só se tornou interessado nele depois de saber que ele trabalhava para o atual Presidente dos EUA. Papadopoulos ingressou na campanha de Trump como conselheiro de política externa em a 21 de março de 2016. O primeiro contacto com o “professor” terá acontecido a 24 de Março de 2016, em Londres.

No final do mês de Abril — mais de um mês depois de ter ingressado na campanha de Trump –, o “professor” terá dito a Papadopoulos que os Russos tinham “podres” de Hilary Clinton reunidos em “centenas de e-mails”. Inicialmente, o ex-assessor tinha dito que essas comunicações aconteceram antes de se juntar à campanha.

Depois de uma reunião com o professor e uma cidadã russa não identificada (que o mesmo achava ser sobrinha de Putin), Papadopoulos enviou uma série de e-mails a vários membros da campanha Trump onde afirmava que se tinha reunido com “um bom amigo” que o iria ajudar a combinar uma reunião com “líderes Russos” para discutir-se ligações EUA-Rússia.

Paul Manafort e o seu braço direito, Rick Gates, acabam de se afirmar como inocentes de todas as acusações de que foram alvo. Apesar disso, ambos encontram-se em prisão domiciliária sendo que a Manafort foi aplicada uma fiança de 10 milhões de dólares e a Gates cinco milhões de dólares.