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A receita para a Fórmula E não podia ser mais simples. E eficaz. Num momento em que só se fala de automóveis eléctricos, criar um campeonato mundial de fórmulas movidos a electricidade parecia, desde logo, votado ao sucesso. Depois, para apimentar o cocktail, nada de circuitos convencionais, até para não tornar evidente que os carros andam muito pouco ou nada (com 250 cv e uma velocidade máxima de 225 km/h, não era de esperar muito mais), pelo menos quando comparados com as outras disciplinas com dimensão para serem homologadas pela Federação Internacional do Automóvel (FIA).

Como pista, os Fórmula E têm como palco o centro das grandes cidades, tentando deslocar a competição para onde estão as pessoas, em vez de atrair multidões até aos traçados tradicionais, onde os F1 correm, modificando por completo a estratégia.

É bom recordar que esta disciplina foi apresentada inicialmente em 2012 e disputou o seu primeiro campeonato mundial, sancionado pela FIA, entre 2014 e 2015, uma vez que, para fugir ao calendário da F1 e das outras modalidades mais sumarentas – ler ’emocionantes’ –, o campeonato destes fórmulas eléctricos realiza-se durante aquilo que é considerado Inverno no hemisfério Norte, ou seja, de Outubro a Julho.

Nas três épocas já disputadas, sagraram-se campeões três pilotos, respectivamente Nelson Piquet Jr., Sébastien Buemi e Lucas de Grassi, dois brasileiros e um suíço. Mas, em termos de equipas, o ceptro foi sempre pertença da Renault, cuja equipa, a e.dams, venceu sempre a concorrência. Mas já chega.

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Decidida a concentrar todos os seus esforços na F1, onde pretende regressar às vitórias – naquelas corridas com fórmulas com cerca de 1.000 cv e capazes de velocidades acima dos 350 km/h –, a Renault cedeu a sua posição na Fórmula E à sua parceira na Aliança Renault-Nissan, que os franceses controlam.

A presença da Nissan na Fórmula E faz todo o sentido, pois não só é a marca que mais vende carros eléctricos no mundo inteiro, como o seu novo Leaf é um veículo cheio de potencial, e de trunfos, capazes de lhe permitir condições para manter a vantagem entre os seus rivais, tanto mais que prepara o lançamento para muito breve de um SUV concebido com base no Leaf. Usufruindo da experiência acumulada por três anos consecutivos de triunfos, a Nissan tudo irá fazer para continuar a surfar a crista da onda, pelo menos no que às vitórias entre a Fórmula 1 dos eléctricos diz respeito.

E a Nissan entra num bom momento, pois para o ano, além dos habituais concorrentes da Fórmula E, com excepção da Renault, que abandona o campeonato, espera-se a entrada da Audi, BMW, Mercedes e Porsche. Pelo que a competição vai aquecer.