Veículo de luxo e pick-up sempre foram termos tão antagónicos quanto possível. Carros de trabalho por excelência, mas também pesados, lentos e nada amigos do ambiente, as pick-ups conquistaram a Mercedes, que ainda assim não quis correr muitos riscos. Os alemães acreditam que o mercado existe e querem desde já marcar a sua presença, mas não a ponto de conceber de raiz um destes veículos – de que nunca construíram nada similar.

A solução da Mercedes passou por aumentar ainda mais a sua relação comercial com a Aliança Renault-Nissan e depois de já adquirir motores e veículos comerciais à Renault, adoptou a base, chassi, transmissões e mecânicas do carro de trabalho à Nissan, que passará mesmo a produzir a Classe X na mesma linha que já fabrica a japonesa Navara.

Mas como quase sempre acontece, a Mercedes deu à pick-up o seu ‘toque de Midas’, pelo que se a Classe X tem uma Navara por baixo – o que até é bom, porque a Nissan é dos melhores fabricantes desta classe de veículos –, o construtor alemão desenhou aquela que é, de longe, a pick-up mais atraente do mercado.

O resultado é tão atraente que a BMW não podia ficar parada – ao que parece, a Audi também não e, caso a Classe X seja um sucesso comercial, está pronta a arrancar de imediato –, pelo que já tratou de avançar com um concorrente à altura. O chassi da BMW não vai ser adquirido a qualquer concorrente, com a marca bávara a concebê-lo com base na plataforma do X5, onde depois será aplicada uma carroçaria de pick-up. E bem atraente, por sinal.

A opção por uma plataforma de SUV (um chassi monobloco), em vez da solução tradicional das pick-ups (chassi de longarinas) pode limitar a capacidade de carga da BMW, face à Classe X (à Navara, e também à Renault Alaskan, que lamentavelmente não virá para Portugal, pelo menos para já), mas conferirá à pick-up da BMW vantagens em termos de comportamento, vibrações, segurança e peso. É uma opção e não se pode ter tudo.