A atualização do salário mínimo nacional para o próximo ano começa a ser discutida na próxima sexta-feira e há vários pontos de partida para as negociações. Os empresários estão disponíveis para discutir valores acima dos 580 euros, mas exigem contrapartidas, como a redução da carga fiscal. Já os sindicatos querem ir mais longe e colocam a fasquia mínima para negociações nos 600 euros, como é o caso da CGTP, avança o Diário de Notícias.

O Governo e o Bloco de Esquerda já tinham feito um acordo político que prevê um aumento na ordem dos 5% no valor do salário mínimo – e é este o ponto que o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva também usa para justificar as exigências dos patrões. Mesmo admitindo que o acordo político já existente seja “uma realidade incontornável”, reforça que, em contrapartida, é importante definir “mecanismos que permitam aliviar a tesouraria das empresas”.

Isto porque, alerta, a subida da remuneração mínima representa um esforço financeiro significativo sobretudo para as empresas que estão mais expostas à competitividade externa. Ainda assim, assume que o aumento para 600 euros está “fora de causa”, defendeu em entrevista ao programa Negócios/Antena1 no passado sábado. Esse valor, reforçou, “é uma luta partidária do PCP com o Bloco”.

Também o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, lembra que o salário mínimo já é pago a um quarto dos trabalhadores – e esta subida já se vai aproximar cada vez mais do salário médio em Portugal. Por tudo isto, defenda que o Governo reflicta no Orçamento do Estado de 2018 novas medidas de desagravamento fiscal para as empresas. “Temos a expectativa de ver neste OE medidas dirigidas às empresas, nomeadamente na área fiscal, mas vamos esperar para ver como é que o governo vai enquadrar a proposta do salário mínimo”, declarou ao DN/Dinheiro Vivo. A defesa da redução de carga fiscal é partilhada por mais associações, como a Confederação dos Agricultores de Portugal.

A posição dos principais sindicatos já é conhecida: 600 euros a partir de janeiro de 2018 é o ponto de partida para as negociações e CGTP não quer abrir mão disso. Já a UGT considera que 580 euros são um “valor mínimo” e acredita que as empresas têm margem para incorporar os aumentos. A sua proposta? A partir de 585 euros. As negociações arrancam na próxima sexta-feira.