Após quatro meses a puxar dos seus galões, as 16 cidades candidatas a acolher a EMA – Agência Europeia do Medicamento foram votadas no Conselho Europeu. Na primeira ronda, os votos dos 27 países no Porto não foram suficientes para que a cidade portuguesa continue na corrida. Após quatro rondas de votação, Amesterdão e Milão acabaram empatadas (Bratislava absteve-se). O destino dos cerca de 900 funcionários da Agência foi desempatado por sorteio. Ganhou Amesterdão, na Holanda.

A EMA terá de deixar o Reino Unido em março de 2019, devido ao Brexit. É nessa altura que começa a relocalização. Milão (Itália), Amesterdão (Holanda) e Copenhaga (Dinamarca) foram as três cidades que passaram à segunda fase de votações. Na terceira, Copenhaga caiu.

Na quarta tentativa, cada cidade teve 13 votos, uma vez que a Eslováquia preferiu abster-se de votar. Foi, então, necessário decidir o futuro da EMA como se de um sorteio da Liga Europa se tratasse: tirando um nome à sorte de dentro de uma taça. Do sorteio saiu vencedora Amesterdão.

De acordo com um comunicado da Câmara Municipal do Porto, a cidade portuguesa foi a sétima mais votada entre as 16. Para além de Milão, Copenhaga e Amesterdão, eram também candidatas a sediar a EMA as cidades de Atenas (Grécia), Barcelona (Espanha), Bona (Alemanha) Bratislava (Eslováquia), Bruxelas (Bélgica), Bucareste (Roménia), Helsínquia (Finlândia), Lille (França), Sófia (Bulgária), Estocolmo (Suécia), Varsóvia (Polónia) e Viena (Áustria). Eram inicialmente 19, mas Croácia, Irlanda e Malta desistiram recentemente.

Amesterdão, Barcelona, Copenhaga, Milão e Viena foram as cidades apontadas como preferidas pelos funcionários da EMA. Já na casa de apostas britânica Ladbrokes, Milão era até hoje a cidade favorita, seguida por Bratislava e, em terceiro lugar, Amesterdão.

Na sexta-feira, a Comissão da Candidatura Nacional à EMA reuniu na Câmara Municipal do Porto para fazer um balanço do trabalho feito, com a presença do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e da secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias. “Esta candidatura tornou o Porto uma cidade visível na Europa, com infraestruturas que podem albergar instituições europeias“, destacou ao Observador Eurico Castro Alves, membro da Comissão. O Palácio dos Correios, nos Aliados, o Palácio Atlântico, na praça D. João I, ou instalações novas na avenida Camilo Castelo Branco, foram as três estruturas que a cidade candidatou.

Em comunicado enviado há pouco, Rui Moreira corrobora. “Agora estamos ainda mais mira dos investidores internacionais; para além de sermos um polo turístico de grande importância, hoje somos uma cidade para investir e para viver como há poucas na Europa.”

Nem só de critérios objetivos se fez a corrida para albergar a agência, que recebe, por ano, cerca de 35 mil visitantes. “A decisão tem a ver também com lobbying“, explica Eurico Castro Alves, que também foi secretário de Estado da Saúde. “Eu testemunhei isso em alguns países. Após a apresentação, no fim a pergunta era: ‘O que é que têm para trocar connosco?'”.

O trabalho diplomático junto dos 26 países que poderiam ter votado em Portugal foi feito pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. De acordo com o jornal Politico, houve países que ofereceram a outros mais tropas da NATO. Outros garantiam o seu voto se, em troca, recebessem outro voto para a presidência do Eurogrupo — lugar para o qual Mário Centeno pode anunciar em breve ser candidato.

O Governo tinha escolhido Lisboa para entrar na corrida, mas voltou atrás após algumas críticas, já que a capital portuguesa já é sede de duas agências europeias, a da Segurança Marítima e o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência. Num estudo feito pela consultora KPMG, nem Lisboa nem Porto apareciam nos lugares cimeiros.