Isabel dos Santos terá lesado o Estado angolano em mais de 30 milhões de dólares (cerca de 25,3 milhões de euros), através da importação de “viaturas, material informático e geradores” para a Unitel, empresa de telecomunicações de que é proprietária , em nome da Cruz Vermelha Angolana (CVA), associação humanitária de que é presidente e que, como tal, é isenta de impostos.

A notícia está a ser avançada pelo site Voz da América (VOA), que explica que o processo diz respeito a compras feitas entre 2009 e 2016, em nome da CVA mas para usufruto da Unitel, e foi aberto pela Direção Nacional da Polícia Económica.

De acordo com o site, as autoridades angolanas já terão solicitado às 18 delegações da Cruz Vermelha no país que lhes entreguem os inventários de todos os bens móveis e imóveis de que são proprietárias, para que possam proceder ao cruzamento de dados com as listas de material comprado pela associação durante os sete anos em causa.

Ao VOA, o jornalista e ativista Rafael Marques garantiu que o mandato da filha do ex-presidente angolano na Cruz Vermelha do país já expirou e exortou Isabel dos Santos a abandonar o cargo: “A sua saída permitiria relançar a Cruz Vermelha, com um plano de ação, tendo em conta a sua importância no apoio humanitário em várias zonas do país. Ela foi, numa tentativa de mostrar que tem veia filantrópica, para usar o nome da CVA em benefício próprio. Acabou por destruir a organização’’.