O Banco Central Europeu (BCE) insistiu na necessidade de as entidades da zona euro realizarem progressos em 2018 na redução dos empréstimos duvidosos, cujo nível continua a ser “alto”.

Segundo os resultados de um relatório sobre supervisão bancária apresentado esta segunda-feira pelo BCE, os rácios de créditos duvidosos ou malparado diminuíram desde 2016, mas o número de bancos com um nível alto deste tipo de empréstimos na zona euro continua a ser “considerável”, sublinha o BCE.

O BCE afirma que as entidades da zona euro são na generalidade “resistentes e estáveis” e indica que os riscos que persistem se centram na rentabilidade e no elevado grau de empréstimos duvidosos de algumas instituições. No relatório, o BCE espera que os bancos que supervisiona mantenham um capital de reserva de 10,6% do valor dos seus ativos de risco contra 10,4% no ano passado.

Segundo o relatório apresentado esta segunda-feira, um banco da zona euro, que não é identificado, ficou em 2017 ligeiramente abaixo dos requerimentos de capital do regulador, apesar da maioria das 119 entidades que supervisiona terem ficado consideravelmente acima.

No ano passado cinco bancos estavam abaixo dos requisitos do BCE e dois, os italianos Banca Popolare di Vicenza e Veneto Banca, faliram posteriormente. Em 2017 o BCE pediu a quatro bancos para adotarem medidas quantitativas concretas para melhorar a sua situação de liquidez e a outras 35 entidades para implementarem medidas qualitativas em relação à gestão dos riscos de liquidez.

Entre as prioridades para a supervisão em 2018, o BCE afirmou que prestará “especial atenção” aos planos de relocalização geográfica dos bancos com sede em Londres, na sequência do Brexit, de maneira a cumprirem a regulação da zona euro e a evitarem o estabelecimento de “instituições com cascas vazias”. O BCE encarrega-se diretamente da supervisão dos grandes bancos da zona euro desde novembro de 2014 e partilha a das entidades mais pequenas com os bancos centrais nacionais.