O Exército israelita anunciou esta quinta-feira a abertura de um inquérito sobre a morte de um palestiniano em cadeira de rodas abatido a tiro em Gaza durante os confrontos registados a 15 de dezembro de 2017.

Ibrahim Abou Thouraya, 29 anos, foi morto quando participava em manifestações contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por parte do presidente norte-americano, Donald Trump.

A vítima palestiniana já tinha perdido as duas pernas na sequência de um ataque israelita à Faixa de Gaza, em 2008. Segundo o inquérito preliminar, o Exército afirmou ser “impossível determinar” se Abou Thouraya foi alvo das forças de segurança. “Não foi identificada qualquer falha moral ou profissional”, refere-se no documento.

Segundo o Ministério da Saúde palestiniano na Faixa de Gaza, Abou Thouraya foi morto com uma bala na cabeça disparada pelo exército israelita. “Com o objetivo de analisar o assunto, e no seguimento de informações recebidas de organizações na Faixa de Gaza, o Exército decidiu investigar as circunstâncias da morte de Ibrahim Abou Thouraya através de um inquérito”, lê-se no comunicado das Forças Armadas israelitas.

A France Presse (AFP) indicou que a vítima palestiniana já tinha aparecido várias vezes em fotografias tiradas pela agência noticiosa francesa em manifestações na Faixa de Gaza.

Num vídeo difundido no dia da morte, a AFP realça que Abou Thouraya fora fotografado empunhando uma bandeira palestiniana e a fazer o “V” de vitória em direção aos soldados israelitas do outro lado da fronteira que separa a Faixa de Gaza e Israel.

A 19 de dezembro do ano passado, o Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados, Zeid Ra’ad Al Hussein manifestou-se “verdadeiramente chocado” com a morte de Abou Thouraya e exigiu a abertura de um inquérito “imparcial e independente”.

Pelo menos 14 palestinianos foram mortos depois do retomar das tensões, desta vez provocadas pela decisão de Trump sobre Jerusalém, anunciada a 6 de dezembro último. Após a ocupação e anexação de Jerusalém-Leste, em 1967, Israel declarou unilateralmente a cidade como a “capital eterna e universal”. As Nações Unidas nunca reconheceram a anexação.

Por seu lado, os palestinianos defendem que Jerusalém-Leste é a capital do Estado a que aspiram.