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Entraram na casa de um casal de idosos para os assaltar. Apunhalaram-na a ela e golpearam-no a ele até à morte. Após o crime, fugiram. São menores, não têm medo de matar e nos últimos tempos estes grupos têm aterrorizado alguns bairros de Bilbao.

Os jovens, dois com 14 anos e outro com 16, estão presos numa prisão de luxo, onde vão ter direito a uma semanada, a piscina, ginásio, sala de informática e sala de jogos, escreve o El Español. Os jovens de 14 anos foram detidos no passado dia 21 e o terceiro, de 16, entregou-se às autoridades um dia depois. Mas a maior parte dos menores criminosos ainda continua nas ruas e os habitantes dizem que são intocáveis. Quase todos têm ligações ao grupo que se auto-denomina “The Ghetto Family”, uma espécie de máfia de menores.

Os responsáveis pelo crime que ocorreu no passado dia 18 de janeiro e resultou na morte de Lucía e Rafael, o casal de 87 anos que vivia em Otxarkoaga, Bilbao, eram conhecidos na área por fazerem pequenos roubos a pessoas mais idosas e com mobilidade reduzida. De acordo com o El Español, dois deles eram Los Pichis, uma família cigana com um historial problemático em Bilbao. A família, segundo o jornal, nunca se preocupou em escolarizar os menores. O seu historial estava marcado por roubos e agressões, que lhes valeram estadias em casas de correção das quais se encontravam fugidos na altura do homicídio.

A legislação espanhola não obriga a notificar fugas de reclusos menores, como acontece com presos maiores de idade, pelo que os estabelecimentos prisionais em que se encontravam os jovens acabaram por não informar que estes estavam à solta.

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É por situações como estas que os habitantes do bairro onde ocorreu o crime, Otxarkoaga, sentem que os menores criminosos são intocáveis. Na esquadra do bairro, dizem, não é possível fazer queixas. Um dos habitantes revelou ao El Español que lhes é dito que, “por falta de pessoal”, a esquadra “não está preparada para receber denúncias”. Se o quiserem fazer têm de se dirigir a Miribilla, que se encontra a 5 quilómetros de Otxarkoaga.

Por isso, e considerando que a maioria das vítimas são idosos e têm mobilidade reduzida, raramente os crimes são denunciados. Os jovens saem impunes. Álvaro Pérez, presidente da Associação de Vizinhos de Otxarkoaga, disse querer medidas mais “contundentes” para crianças como os Los Pichis, em quem “talvez não funcionem jogos”.

Ainda não se sabe ao certo se os homicidas de Lucía e Rafael têm alguma ligação aos “The Ghetto Family”, que estão no centro de vários outros crimes na região, ocorridos num curto espaço de dias. O primeiro foi o assassinato de Ibon Urrengoetxea, ex-jogador de futebol do clube basco Amorebieta, morto por dois jovens, de 14 e 16 anos, no dia 23 de dezembro.

Poucos dias depois, a 28 de dezembro, dois homens de 23 anos foram agredidos no metro por outros dois jovens que os tentavam roubar, tendo uma das vítimas perdido um olho.

E a 30 de dezembro, uma jovem de 14 anos disse ter sido violada por quatro menores, entretanto detidos.