Diz a tradição que o vencedor do Óscar de Melhor Ator na edição passada entrega o galardão de Melhor Atriz no ano seguinte — e vice-versa. Mas, este ano, a tradição vai ser quebrada. Casey Affleck, que ganhou o prémio com a sua prestação em “Manchester by the Sea”, decidiu não comparecer à 90.ª edição dos Óscares.

O ator, irmão de Ben Affleck, notificou a Academy of Motion Picture Arts and Sciences de que não só não vai entregar o Óscar de Melhor Atriz, como também não vai marcar presença no evento. De acordo com o representante do ator, Casey Affleck não quer “ser uma distração” do movimento #MeToo — contra a cultura de assédio sexual em Hollywood —, já que foi anteriormente acusado de conduta sexual imprópria durante a rodagem do documentário “I’m Still Here”.

O The Guardian recorda que, em 2010, as atrizes Amanda White e Magdalena Gorka processaram Casey Affleck devido ao seu comportamento durante as gravações do filme. White descreveu os acontecimentos como “um bombardeamento diário de comentários sexuais, insinuações e avanços indesejados” e Gorka afirmou que foi “a experiência mais traumatizante” da sua carreira. O caso foi encerrado com um acordo que, segundo o ator, “foi satisfatório para todos”.

Em 2017, quando Casey Affleck venceu o Óscar de Melhor Ator, foi Brie Larson quem o entregou — que havia vencido em 2016, com “Room”. A atriz, uma das maiores encorajadoras do movimento #MeToo e ativista contra o assédio sexual, entregou a estatueta a Affleck sem sorrir, sem aplaudir e sem qualquer entusiasmo. Pouco tempo depois, disse à Vanity Fair que o que fez em palco “falou por si”.

A decisão de Casey Affleck, de 42 anos, surge depois de uma petição online, assinada por 20 mil pessoas, que pedia à Academia que impedisse que o ator subisse ao palco. Resta saber quem vai substituir o ator na entrega do Óscar de Melhor Atriz.

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