Ranking Escolas 2017

9.º ano. Maioria das escolas já tem nota positiva nos exames e mais 6 gráficos que explicam os rankings

No ano letivo de 2016/17, só 29% das escolas obtiveram uma média negativa combinada dos dois exames do 9.º ano. Foi uma queda de 17,4 pontos percentuais. A primeira pública sobe 10 lugares.

Autor
  • Rita Ferreira

Antes de ir às listas das escolas mais bem classificadas e que pior pontuaram nos rankings do 3.º ciclo, há que destacar uma nota desde logo positiva. Este ano, o número de escolas que obteve média negativa na combinação entre os dois exames do 9.º ano — Português e Matemática — caiu substancialmente face ao ano passado, passando de 46,4% para 29%.

No exame de Português houve apenas 8,3% de escolas que apresentaram uma média negativa e a Matemática conseguiu-se que mais de metade das escolas atingissem uma média acima de 50% — 44% das escolas têm média negativa a Matemática, ainda assim um valor elevado. No ano passado, a Português houve 10,2% das escolas que apresentavam uma média negativa, a Matemática o número disparava para 65,2%.

No ranking dos exames, ou seja, na lista que ordena as escolas consoante as notas que os alunos obtiveram nas provas nacionais de Português e Matemática, continua a tendência das privadas no topo, embora este ano a primeira escola pública surja na 25.ª posição, enquanto no ano passado apenas aparecia na 35.ª. No top 10 das escolas cujos alunos melhor pontuam nos exames nacionais, estão apenas escolas privadas. A primeira é o Colégio Minerva, no Barreiro, que ocupou o lugar do Colégio Novo da Maia, que saiu do top 10.

Quando se olha para as dez escolas públicas com melhores resultados nos exames finais, há algo que salta à vista. Entre elas estão três escolas de artes: a Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, o Conservatório de Música do Porto e o Conservatório Nacional em Lisboa, que ocupam o 3.º, 5.º e 6.º lugares respetivamente. E em 2.º lugar surge a Escola do Porto da Cruz, do Machico, na Madeira, o que é uma total novidade nestes lugares, habitualmente ocupados por escolas das principais cidades de Portugal Continental.

À semelhança do que acontece no ranking do secundário, estas são na generalidade escolas que têm uma percentagem muito baixa de alunos a receber apoio social escolar (no Conservatório Nacional em Lisboa o valor é 0%; as escolas das ilhas não são obrigadas a enviar dados de contexto) e são também por norma escolas onde o grau de escolaridade das mães é elevado — recorde-se que, nos vários estudos que têm sido feitos ao desempenho das crianças, chega-se à conclusão de que o grau de habilitação escolar das mães é dos que mais influencia os resultados escolares dos filhos.

No fundo da tabela do ranking dos exames o cenário é exatamente o oposto: escolas com muitos alunos carenciados, com percentagens a passarem os 80% e com mães com poucas habilitações (neste caso, só uma escola revela esse dado, mas olhando para um número mais alargado de escolas que figuram no fim da tabela poucas são aquelas em que a média da escolaridade das mães das crianças chega aos 10 anos de frequência do ensino).

Ranking do sucesso com mais públicas no topo

À semelhança do que se fez com o secundário, também este ano o Observador, em conjunto com a Universidade Nova/SBE, elaborou um ranking baseado noutros critérios que não apenas a nota dos exames finais nacionais.

O chamado ranking do sucesso tem em conta as avaliações internas, o progresso dos alunos durante todo o ciclo (neste caso entre o 7.º e o 9.º ano) e as notas dos exames finais. Tendo em conta todos estes indicadores, é depois feita uma comparação entre escolas com o mesmo tipo de alunos. Assim se chega a um valor que mede o progresso das crianças ao longo daqueles três anos. As escolas mais bem cotadas são aquelas que conseguem melhorar o desempenho dos alunos durante os três anos que dura o ciclo.

No extremo oposto estão as escolas onde os alunos, independentemente da nota com que entram no 7.º ano, nada progridem, ou até regridem. São escolas, neste caso, onde uma percentagem muito pequena de alunos consegue fazer o terceiro ciclo sem chumbar e obtendo nota positiva nos exames finais e que, quando comparadas com escolas que têm alunos idênticos, fazem muito menos que as outras para promover o sucesso escolar das crianças.

Em relação a outros indicadores, também há poucas novidades: são as raparigas que continuam a ter melhores resultados e quanto mais carenciados são os alunos, piores são os desempenhos escolares.

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