Os homens não só ganham mais, em termos de remuneração base, como essa vantagem é ampliada pelo pagamento de bónus em quase todas as funções. Esta é uma das conclusões dos dados elaborados pela consultora Mercer, a partir da análise de um universo de 300 empresas a operar em Portugal.

A consultora de recursos humanos analisou as diferenças salariais em função dos cargos ocupados pelos dois géneros e concluiu que a maior diferença, favorável a eles, se verifica ao nível das remunerações variáveis atribuídas ao mesmo tipo de função.

Esta discrepância na atribuição de prémios por desempenho é mais expressiva nos cargos administrativos — eles ganham mais 52% do que elas — nos cargos técnicos — mais 27% para os homens — e até nas funções de topo — onde a remuneração variável deles é em média mais 23% que a delas. Há, no entanto, uma exceção nos resultados obtidos pela Mercer, os prémios pagos nas chefias intermédias às mulheres estão 6% acima dos entregues aos homens.

Estas diferenças não são surpreendentes se considerarmos que a remuneração fixa dos homens é superior à das mulheres e que os  bónus são em regra uma percentagem da componente fixa do salário. Mas a discriminação salarial a favor deles é mais significativa na componente variável.

Na remuneração fixa, eles ganham em média sempre mais do que elas, mas as diferenças são menos expressivas, variando entre os 11% nas funções técnicas e os 14% nos administrativos. Destaque ainda para as funções de topo, onde a vantagem salarial masculina é em termos médios de 12%.

Onde há menos mulheres? Engenharia e cargos de topo na gestão

De acordo com os dados da Mercer, a engenharia é o setor onde há menos trabalhadores do género feminino, apenas 3%. Esta aliás é a única área onde a presença feminina é mais reduzida do que em cargos de administração de topo, onde encontramos uma percentagem feminina de apenas 15%. Esta percentagem é maior, mas apenas um pouco, quando as contas são feitas às funções de topo, onde encontramos 21% de mulheres. Este valor sobe para 34% nas chefias intermédias e para 35% nos cargos técnicos. As mulheres só são a maioria em cargos administrativos.

Tecnologias de informação, produção (indústria e agricultura) e logística, são outras atividades onde existe um desequilíbrio de género significativo, com o número de mulheres a ser claramente inferior a metade dos recursos humanos.

Do outro lado da escala, os recursos humanos e contact centre, são as áreas mais femininas, com percentagens de 68% e 66%. Igualmente predominante é a presença de mulheres nas áreas jurídica e administrativa, 65% e 62%, respetivamente. Elas também são mais nos setores financeiro e marketing, na casa dos 60%. A qualidade e o comercial são as áreas onde existe maior equilíbrio de género, segundo este inquérito que analisa dados de 2017 de empresas portuguesas e multinacionais a operar em Portugal.

O universo analisado pela Mercer é composto em 56% por mulheres, mas o peso do género feminino varia muito em função do escalão. Elas dominam claramente na base da pirâmide, são 60%, mas quando se começa a subir os degraus vão perdendo representação até chegar ao nível dos administradores executivos onde são apenas 15%.