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Os morangos são os “vencedores” da lista de comidas “mais sujas” de 2018. Segundo o Environmental Working Group — organização norte-americana sem fins lucrativos –, este fruto foi o que mais evidenciou a presença de substancias químicas e pesticidas.

No total, a lista inclui 12 entradas, tanto frutas como vegetais, e nela figuram alimentos como espinafres (o 2º classificado do estudo), nectarinas, maçãs, uvas, pêssegos, cerejas, peras, tomates, aipo, batatas e pimentos — todos eles enumerados segundo o ‘ranking’ de sujidade.

De facto, quase 70% dos alimentos cultivados convencionalmente — de forma não biológica — deu origem a amostras contaminadas, revelam os testes feitos. O estudo em questão é realizado anualmente desde 2004 e analisa 47 das mais populares frutas e legumes, elaborando depois um guia, o Shoper’s Guide to Pesticides in Produce — uma espécie de ‘guia de artigos com químicos’.

O guia é baseado nos resultados dos testes feitos pelo Departamento de Agricultura dos EUA, em parceria com a Food and Drug Administration, a mais de 38.800 amostras. Cada teste é realizado de forma a assemelhar-se o máximo possível com a utilização do público geral, daí todos os testes envolverem o lavar e descascar do alimento em questão.

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No caso particular dos morangos, o estudo mostrou que uma única amostra tinha a presença de 20 pesticidas. Mais de 98% de todos os casos revelaram a existência de pelo menos um pesticida.

Impacto nas doenças crónicas

As crianças são as mais vulneráveis aos malefícios destes químicos, isto porque ainda não têm as suas defesas tão desenvolvidas como os adultos.

A pesquisa “sugere que pesticidas podem dar origem a complicações de saúde crónicas em crianças, incluindo problemas de neurodesenvolvimento ou de comportamento, defeitos de nascença, asma ou cancro,” explicam os autores do relatório de 2012 da American Academy of Pediatricians, que são citados pelos organizadores do estudo.

Mas há alguma forma de contornar os efeitos nocivos destes químicos?  Segundo a Connecticut Agricultural Experiment Station, um grupo de investigação científica associado ao governo, lavar os alimentos debaixo de água corrente pode ser uma boa forma de eliminar ou reduzir a presença destes químicos, desde que o tempo de exposição a água corrente seja igual ou superior a 30 segundos.

Contudo, um estudo recente da Universidade de Massachusetts Amherst afirma que o método mais eficiente de limpar alimentos é deixá-los mergulhados numa solução de água com bicarbonato de sódio.

E os mais limpos?

Como contraponto desta lista nociva, o mesmo Environmental Working Group (EWG) define o top 15 dos alimentos “mais limpos”. Nele, o abacate é líder, seguido do milho doce, ananás, couve, cebola, ervilhas congeladas, papaia, espargos, manga, beringela, melão, kiwi, meloa, couve-flor e brócolos.

Ambos os vegetais que ficaram nos lugares cimeiros deste ranking — abacate e milho doce — apenas revelaram presença de pesticidas em menos de 1% das amostras analisadas. Mais de 80% dos ananases, papaias, espargos, cebolas e couves deram resultado negativo, quando testadas sobre a presença de pesticidas.

A EWG ressalva que uma pequena porção do milho, papaias e abóboras vendidas nos EUA são produzidas com recurso a sementes geneticamente modificadas.