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Brasil. Ex-ministro faz acordo para novas denúncias contra Lula e Dilma

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Antônio Palocci, que trabalhou com os dois antigos presidentes e está preso desde 2016, fechou acordo com autoridades para confessar novos dados no âmbito da Lava Jato.

AFP/Getty Images

Antônio Palocci, ex-ministro dos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff, pode colocar de novo os dois antigos presidentes brasileiros sob fogo cerrado da justiça. Tudo por causa de um acordo que o político, detido desde 2016, terá fechado com a Polícia Federal em troca de novas informações sobre os alegados esquemas de corrupção que envolvem Lula e Dilma, avançou o jornal O Globo esta quinta-feira.

Sobre o acordo (a que os brasileiros chamam de “delação premiada”) não são conhecidas os termos em que foi fechado nem quais os benefícios que negociou nos últimos meses por partilhar novas informações com as equipas de investigação. Mas, de acordo com a imprensa brasileira, a expetativa é que o testemunho de Palocci revele novos dados sobre os esquemas já conhecidos no âmbito da operação Lava Jato e também os nomes ainda desconhecidos de outras figuras envolvidas nessas mesmas práticas, em especial no setor empresarial.

Antônio Palocci, um dos principais dirigentes do PT, foi prefeito de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, e depois ministro da Fazenda (o equivalente às Finanças) no primeiro governo de Lula da Silva e chefe da Casa Civil no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, entre 2003 e 2015. Está preso em Curitiba desde setembro de 2016, condenado a 12 anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O juiz Sérgio Moro considerou que o ex-ministro negociou pagamentos com a Odebrecht, que foi beneficiada em contratos com a Petrobras.

Já no ano passado o ex-ministro tinha prestado um depoimento bastante duro sobre Lula ao juiz Sergio Moro — o magistrado que lidera a operação Lava Jato e foi agora quem executou a ordem de prisão de Lula –, a quem revelou um “pacto de sangue” feito pelo antigo chefe de Estado brasileiro com o presidente da Odebrecht para receber “luvas” da construtora — esses pagamentos seriam feitos “em forma de doação de campanha, em forma de benefícios pessoais”. Neste esquema, Palocci era conhecido pelo nome de código ‘Italiano’. Um testemunho que terá provocado a sua suspensão do PT e, posteriormente, o seu pedido para abandonar o partido.

As reações a este acordo e a potenciais denúncias novas de Palocci já geraram reações no país, incluindo da própria Dilma Rousseff. Através das redes sociais, a antiga presidente alega que o seu ex-ministro “mente para sair da cadeia e não te provas para sustentar acusações a ela ou Lula“.

Desde o início das investigações, que as autoridades suspeitam do uso indevido de uma empresa, a consultora Projeto, de Antônio Palocci, que serviria para receber o dinheiro dos vários esquemas de corrupção em órgãos públicos controlados pelo PT. Entre elas, várias empresas públicas, como a Petrobras. A polícia, contudo, continua a investigar o alegado envolvimento no esquema de pagamentos de, pelo menos, três bancos, uma holding do setor farmacêutico, uma seguradora na área da saúde, uma fabricante automóvel e ainda uma empresa do setor da alimentação. Suspeitas que os novos dados confessados poe Palocci poderão confirmar ou não.

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