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F8: Como o Facebook quer recuperar do escândalo da Cambridge Analytica

O Observador esteve no F8, a conferência anual do Facebook, onde Zuckerberg não fugiu ao elefante na sala, a Cambridge Analytica. Em sete pontos pontos, explicamos o que aconteceu.

O F8 começou em 2007, mas em 2009, 2012 e 2013 não se realizou. Nos últimos anos tornou-se no principal evento onde o Facebook anuncia novas ferramentas e produtos

MANUEL PESTANA MACHADO/OBSERVADOR

O evento foi sobre o Facebook, mas  Cambridge Analytica nunca saiu da sala. No último dia do F8, a empresa de análise de dados britânica que copiou  indevidamente os perfis de 87 milhões de utilizadores para ajudar a eleger Donald Trump, esteve no centro das atenções depois de ter anunciado que ia fechar. Mesmo assim, a rede social de Mark Zuckerberg conseguiu com divulgar novos produtos, novas ferramentas e mostrar que o Facebook ainda pode mudar bastante, como passar a ter uma ferramenta de encontros semelhante ao Tinder.

Leia, em sete pontos, como é que uma das maiores empresas do mundo quer continuar a ser influente depois de um dos maiores casos de utilização indevida de dados da História.

Zuckerberg não fugiu à polémica do momento, o caso Cambridge Analytica

O F8 pode ser conhecido como “um evento para programadores [developers]”, mas este ano o discurso de abertura de Mark Zuckerberg era esperado não pelos rumores que já haviam sobre os óculos de realidade virtual ou pelas novidades que iria apresentar na rede social. O que se queria saber era como iriaa — ou não — abordar o tema que está na ordem do dia: o caso Cambridge Analytica. “Foi um ano intenso, não acredito que só passaram quatro meses”, afirmou o fundador.

O presidente executivo da maior rede social do mundo não só abordou o elefante na sala, como ainda brincou com ele. Ao anunciar o novo modo “watch party” para se ver vídeos em direto num chat com amigos, mostrou a título de exemplo, as 10 horas em que esteve no Congresso americano a prestar declarações aos representantes eleitos sobre os mais de 87 milhões de perfis copiados.

“Quando comecei o Facebook, em 2004, podia encontrar-se tudo na Internet, menos o mais importante, pessoas”, justificou Zuckeberg. Está  “otimista com o futuro” e, mais uma vez, afirmou que o Facebook está a trabalhar para resolver os erros que o levaram a esta situação, mas, mesmo assim, assumiu: “Não há garantia nenhuma de que vamos fazer isto [resolver os problemas da rede social] da maneira certa.”

Realidade virtual para levar para todo o lado

O Facebook tinha prometido que, no início de 2018, ia lançar uma versão mais acessível dos Oculus Rift, os óculos de realidade virtual topo de gama da empresa. Foi preciso chegar a maio, mas a altura foi a correta. Os Oculus Go foram as maiores novidades apresentadas no primeiro dia do evento.

A ausência de fios, não precisarem de um computador topo de gama para funcionar e o preço de 220 euros fazem dos Oculus Go das experiências mais práticas de realidade virtual no mercado. Continuam a ter limitações, como explicou ao Observador Madhu Muthukumar, um dos responsáveis pela criação do produto. Contudo, são a materialização de um dos objetivos de Mark Zuckberg: “Queremos criar uma experiência em seja possível falar com alguém como se estivesse na mesma sala, mesmo que esteja no outro lado do mundo”. 

Dois visitantes interagem virtualmente com o Oculus Go num jogo no pavilhão principal do F8

Facebook, o novo Tinder

É possível encontrar amor pelo Facebook? Sim, é possível. E vai ficar ainda mais fácil. Chama-se Datings (encontros) e vai ser lançado, numa fase de testes, no final do ano. Na prática vai ser uma ferramenta da rede social que vai permitir, sem que os amigos dos utilizadores saibam, encontrar a cara metade através dos gostos e amigos em comum na plataforma.

Segundo Zuckerberg, é para “relações sérias, e não apenas casos de uma noite”. Por isso, ao explicar como vai funcionar, utilizou o perfil do carismático vice-presidente de parcerias do Facebook, Ime Archibong. Ao Observador, Ime assumiu que só soube da graça no dia antes da apresentação. Porque é que Zuckerberg utilizou o seu perfil? “Se calhar sou o único amigo solteiro de Mark”, disse.

Depois de o anúncio ter sido feito, as ações da Match Group, que detém a aplicação do Tinder — uma app que junta pessoas conhecida por, além de promover relações sérias, de ser uma forma de se ter também relações rápidas — desceram a pique (18%).

Instagram quer acabar com o bullying

É uma realidade que aflige jovens em todo o mundo e, com as redes sociais, tem ganho novos contornos. Para minimizar os efeitos do bullying na plataforma, o Facebook adicionou ao Instagram um filtro que censura comentários com este caráter.

A opção é uma adição à ferramenta que oculta automaticamente comentários ofensivos nas publicações feitas, lançada em 2017. Pode ser desligada nas definições, mas é a forma que o Facebook encontrou para proteger os utilizadores, explicou o presidente executivo e cofundador do Instagram no F8. “Proteger os nossos membros mais jovens é crucial para os ajudar a sentirem-se mais confortáveis”, explicou quanto ao novo filtro.

Além disso, foi anunciado que o Instagram vai mudar o layout da seção explorar, passando a ter subsecções consoante os interesses do utilizador e que o Direct, a ferramenta de chat da plataforma, vai passar a ter videochamadas.

Whatsapp: perde-se um fundador, mas ganha-se videochamadas em grupo

A privacidade dos utilizadores é o assunto sensível no Facebook e, no dia antes do F8, Jan Koum, cofundador do WhatsApp, despediu-se da empresa e anunciou-o num post na rede social. Segundo o Washigton Post, Koum estava “desgastado” com a filosofia do Facebook. Antes de divulgar as novidades da aplicação de chat na apresentação no F8, Zuckerberg desmentiu a razão e afirmou: “Ele é um defensor dos direitos de privacidade. Quero agradecer todo o trabalho que fez em encriptar as mensagens, sem ele não tinha sido possível”.

Depois, vieram as novidades. Videochamadas em grupo e novas formas de interação com os contactos de Whatsapp de negócios. Além disso, a aplicação de mensagens vai passar a ter a opção para enviar stickers, os bonecos que aplicações como o Messenger já utilizam.

Inteligência Artificial é a solução para tudo

O Facebook está a melhorar a inteligência artificial (I.A.) para bem mais que censurar comentários. Através das fotografias partilhadas publicamente no Instagram, a empresa está a ensinar a I.A. a reconhecer o conteúdo de qualquer imagem. Atualmente, tem eficácia de 85,4%, mas o objetivo é chegar aos 100%. A tecnologia não só vai permitir que imagens consideradas ofensivas ou que incentivam ao terrorismo não cheguem a ser partilhadas na rede, como está a ser utilizada para melhorar as experiências de realidade virtual.

E se fechássemos todos os nossos serviços? Acham que isso acabava com o discurso de ódio, com a violência e com todas as coisas terríveis que estão a acontecer no mundo? Claro que não”,  disse Mike Schroepf, diretor de tecnologia do Facebook.

No segundo e último dia do F8, o palco que tinha sido de Zuckerberg foi dado a Mike Schroepf, o diretor de tecnologia (CTO) do Facebook para explicar estas novidades. O executivo da empresa explicou numa conversa com alguns jornalistas presentes no evento (incluindo o Observador), que esta é a solução da empresa para resolver os erros, e não baixar os braços.

Além disso, graças à I.A., o Facebook desenvolveu novos protótipos de óculos de realidade virtual que conseguem replicar divisões de casas e até o próprio utilizador em ambientes virtuais.

E tudo o resto: Messenger, trabalho e uma hackathon

Novos Tinder e realidade virtual de parte, o F8, que aconteceu num dos momentos mais sensíveis do Facebook, fez por mostrar que a empresa de Silicon Valley está resistir ao caso Cambridge Analytica.

Houve ainda tempo para, em 24 horas, realizar uma hackathon (competição de programadores informáticos para criar um sistema num curto espaço de tempo). Qual era o desafio? Resolver um problema de cibersegurança.

Um dos espaços no F8 onde se realizou a hackathon

Além disso, no F8, o Facebook divulgou um novo design e ferramentas para o workplaces, o serviço que vende para comunicação dentro de empresas, um novo layout para o Messenger (ainda sem data anunciada) e que nos próximos meses vai disponibilizar uma ferramenta para apagar o histórico do Facebook, como é possível nos browsers da Internet.

O F8 2018 decorreu nos dias 1 a 2 de maio, em São José, na Califórnia, a meia hora de caminho do campus sede do Facebook, em Menlo Park.

*O Observador esteve no F8, em São José, Califórnia, a convite do Facebook

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