No discurso de abertura do F8, o principal evento do Facebook, Mark Zuckerberg falou sobre o assunto que o pôs sentado no Congresso norte-americano pela primeira vez: a Cambridge Analytica e o modo como a rede social é utilizada para influenciar o resultado de eleições. “Foi um ano intenso, não acredito que só passaram quatro meses”, disse o criador da maior rede social do mundo, pondo a plateia a rir. Além de brincar com a situação que o Facebook enfrenta, anunciou novas ferramentas para as várias apps e serviços que a empresa detém, como o Instagram, o Whatsapp e o Oculus.

Quando comecei o Facebook, em 2004, podia-se encontrar tudo na Internet, menos o mais importante, pessoas”, disse Zuckerberg como explicação sobre como seria um mundo sem a empresa que criou. O criador da maior rede social do mundo, quanto as desafios e polémicas que a empresa tem enfrentado com a divulgação do caso Cambridge Analytica, afirmou estar “otimista com o futuro”, mas que ainda há bastante trabalho pela frente.

Não há garantia nenhuma de que vamos fazer isto [resolver os problemas da rede social] da maneira certa, mas posso garantir que, se não nos focarmos nisto, o mundo não se vai dirigir nessa direção”, disse Mark Zuckerberg, quanto às mudanças que estão a implementar na plataforma.

No discurso de arranque do F8, Zuckerberg afirmou, mais uma vez, que fez erros. “Fomos lentos em perceber como a Rússia estava a interferir nas eleições. Sentei-me com a nossa equipa e disse: nunca mais vamos estar desprevenidos, contou. O fundador do Facebook voltou a referir que a rede social está a pedir a todos os utilizadores para reverem as definições de privacidade, em antecipação da data da plena aplicação do novo regulamento europeu geral para a proteção de dados. “E não é só a europeus”, enfatizou Zuckerberg.

De forma a mostrar o esforço da empresa em melhorar a privacidade dos utilizadores, o presidente executivo anunciou que o Facebook vai ter, nos próximos meses, uma ferramenta que permite apagar o histórico e dados de entrada nos serviços da empresa, à semelhança do que já é permitido nos browsers de Internet, com a possibilidade de apagar os cookies e histórico do computador.

Focando nas ferramentas de inteligência artificial que a empresa tem construido para moderar os conteúdos na rede social, Zuckerberg reiterou que os anúncios com carácter político vão passar a mostrar por quem foram pagos. E mostrou imagens do novo sistema de fact check“, uma ferramenta que a rede social vai passar a ter em notícias para minimizar a propagação de notícias falsas na Internet. “Vamos trabalhar para estar sempre à frente dos nossos adversários”, prometeu o executivo.

Quanto ao caso Cambridge Analytica, Mark Zuckerberg aproveitou um vídeo da audição que teve no congresso americano para divulgar uma nova ferramenta do Facebook, na qual vai ser possível comentar vídeos de atualidade em direto. A 17 de março, jornalistas do The Guardian, Channel 4 e do The New York Times, divulgaram que a Cambridge Analytica, uma empresa de análise de dados, utilizou 50 milhões de perfis indevidamente para condicionar campanhas eleitorais. O caso levou  Zuckerberg a pedir desculpas em entrevista à CNN e ao Congresso americano. Ao todo, foram 87 milhões os utilizadores afetados, dos quais 63 mil portugueses.

O presidente executivo aproveitou para falar de outra polémica muito recente. Esta segunda-feira o cofundador do WhatsApp despediu-se e, segundo as notícias, a razão está relacionada com problemas de privacidade na plataforma. “Ele é um defensor dos direitos de privacidade. Quero agradecer todo o trabalho que fez em encriptar as mensagens, sem ele não tinha sido possível”, disse Zuckerberg antes de anunciar novas ferramentas para a app de mensagens e afirmando que a saída de Jan Koum não ocorreu por incompatibilidade com a empresa.

Agora, a atitude do executivo é utilizar a situação em proveito da empresa que criou e dizer: “Sim, este é um momento importante, mas temos de fazer mais”, terminou o executivo.

*O Observador está no F8, em São José, Califórnia, a convite do Facebook