Afinal, o pedido de demissão do coordenador do centro de Cibersegurança já tinha sido feito há quatro meses e o motivo prendia-se com limitações ao trabalho. Na quarta-feira, o gabinete da ministra da presidência e modernização administrativa anunciou que Pedro Veiga, antigo coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), se havia demitido do cargo. Um dia depois, na quinta-feira, à SIC Notícias, Pedro Veiga afirmou que o pedido de demissão já tinha sido feito à quatro meses e que foi motivado “por limitações ao trabalho” do CNCS e acusou Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, de não ajudar o Instituto.

Ao jornal Público, o antigo coordenador afirmou que a saída não está relacionado com falta de verbas, embora tenha reconhecido que o CNCS tem “dificuldades”. “O motivo da minha demissão foi sentir-me enganado pelo ministro Manuel Heitor”, disse ao mesmo meio. O antigo coordenador vai mais longe e acusa Heitor de “fragilizar a cibersegurança nacional” ao não  passar para a alçada a tutela do domínio .pt, gerido pela associação DNS.pt.

O mesmo jornal refere que, em 2013, Pedro Veiga já se tinha demitido em protesto com as mudanças na FCCN (Fundação para a Computação Científica Nacional) que levaram à criação da associação liderada por Luísa Gueifão.

“Manuel Heitor prometeu que os meus desígnios iam avançar, mas depois tudo parou”, disse Pedro Veiga. O antigo coordenador responsável do CNCS afirmou que, em setembro de 2017, chegou a enviar um ofício ao ministro que apontava “falhas com alguma gravidade”, afirmando que havia pontos que mereciam que se fizesse “uma investigação”, mas que nada foi feito. A principal crítica é à associação DNS.pt, que afirma que foi criada “sem quaisquer regras”.

Pedro Veiga afirmou que as recomendações que fez enquanto coordenador “não foram seguidas” e criticou ainda os estatutos e gestão da associação dns.pt (responsável pela gestão do domínio .pt). O antigo coordenador, esta quinta-feira, à Exame Informática, já tinha afirmado: “Os recursos e as receitas que resultam da exploração do .pt deveriam ser geridos pelo Estado, e nomeadamente pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), e não deveriam ser aplicados em salários elevados, na compra de prédios ou no financiamento de outras associações que nada têm a ver com a gestão do .pt.”

Ao mesmo meio, Pedro Veiga repetiu as críticas feitas à associação, reiterando que é necessária uma investigação. Em janeiro de 2018, a Exame Informática divulgou que a associação DNS.pt gastou dois milhões de euros na compra de uma nova sede, com mais de 800 m2, para receber 16 funcionários e foi criada por um sócio que não existe.

Maria Manuel Leitão Marques nomeou Pedro Veiga como coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, em 2016. Segundo Pedro Veiga à SIC, não se demitiu do cargo em rutura com esta governante. O responsável do CNCS deveria ficar até 2019 no cargo. Pedro Veiga é pioneiro da Internet em Portugal e professor no Departamento de Informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

*Artigo atualizado às 22h00 com declarações dadas por Pedro Veiga ao Público