Benfica

PJ está a investigar novas “toupeiras” do Benfica em Coimbra e Leiria. São já três as comarcas envolvidas

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O caso "e-toupeira" já atingiu três comarcas: Coimbra, Leiria e Braga. A fase mais recente da investigação constituiu dois novos arguidos. Um funcionário judicial permanece em prisão preventiva.

Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica e homem de confiança de Luís Filipe Vieira, é um dos arguidos no processo

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A Polícia Judiciária descobriu acessos a documentos em segredo de Justiça nos tribunais de Leiria e Coimbra na fase mais recente do processo “e-toupeira”, que investiga a compra de informação judicial referente aos processos que envolvem Benfica, FC Porto e Sporting por parte de Paulo Gonçalves, assessor jurídico do clube da Luz. Já são assim três as comarcas envolvidas no caso: Leiria e Coimbra juntam-se à comarca de Braga, mais especificamente aos tribunais de Fafe e Guimarães.

O Jornal de Notícias conta que a auditoria do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça conseguiu descobrir a origem das ligações aos sistemas informáticos e foi dessa forma que mais dois funcionários do Ministério da Justiça foram constituídos arguidos nas últimas semanas. Aliás, foi esta mesma auditoria que identificou José Nogueira Silva – que permanece em prisão preventiva – como sendo a “toupeira” de Paulo Gonçalves, homem de confiança de Luís Filipe Vieira.

Este funcionário vigiava a partir de casa os inquéritos em segredo de Justiça que incluíam os “três grandes” – bem como através do computador que mantinha nos tribunais de Fafe e Guimarães. As consultas eram diárias e concentravam-se principalmente no caso dos e-mails, que envolve o Benfica, tendo sido registados centenas de acessos.

Esta auditoria concluiu que os acessos ilícitos eram feitos através das credenciais da procuradora Ana Paula Vitorino, que então exercia funções na 9.ª Secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Ministério Público de Lisboa e é agora assessora de Maria José Morgado, atual procuradora-geral distrital de Lisboa. As credenciais – utilizador e palavra-passe – estavam inutilizadas desde que a procuradora saiu do DIAP e lhe foram atribuídos novos dados de acesso. Assim que soube desta alteração, por trabalhar no Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, José Nogueira Silva encontrou uma oportunidade para ir vigiando os processos sem que ninguém desconfiasse.

Acabou por ser apanhado por um pormenor: ainda que as credenciais pertencessem a uma magistrada de Lisboa, os acessos ficaram registados nos tribunais de Fafe e Guimarães. A ligação de José Nogueira Silva ao Benfica foi confirmada em janeiro, quando a PJ vigiou um encontro entre Paulo Gonçalves e Júlio Loureiro, oficial de Justiça no tribunal de Guimarães, no Estádio da Luz.

O processo “e-toupeira” tem sete arguidos: Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, cinco funcionários judiciais, entre eles José Nogueira Silva, e ainda um empresário de futebol. Estão indiciados pelos crimes de corrupção, peculato, violação do segredo de Justiça, favorecimento pessoal, falsidade informática, acesso ilegítimo e burla informática. A investigação ainda está a decorrer.

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