Itália

Carlo Cottarelli, o ‘sr. tesouras’ do FMI que vai ser primeiro-ministro de Itália

Carlo Cottarelli foi a escolha do presidente italiano para formar um governo provisório - sobretudo tecnocrata - para levar o país até às eleições, inevitáveis até ao final do ano.

AFP/Getty Images

O veto do presidente da República italiano Sergio Mattarella ao nome do economista eurocético Paolo Savona para o cargo de ministro da Economia adensou a crise política que se vive em Itália desde as eleições de março. No centro da solução está agora Carlo Cottarelli, um ex-diretor do FMI que o presidente chamou esta manhã para uma reunião em Roma.

Após um ato eleitoral sem entendimentos em março deste ano, os partidos anti-sistema Liga e Movimento 5 Estrelas (M5S) concordaram em apresentar uma solução governativa única. A condição era escolherem, em conjunto, um nome para primeiro-ministro, em vez de avançar o líder de um ou do outro partido. A escolha recaiu sobre Giuseppe Conte.

Contudo, Sergio Mattarella aprovou todos os nomes do governo de Conte exceto um: o do economista eurocético Paolo Savona, que é assumidamente contra a moeda única. Afirmando que a possibilidade de Itália mudar a sua posição relativamente ao Euro alarmaria investidores internacionais, Mattarella vetou Savona. E Giuseppe Conte decidiu que sem um ministro não avançaria. No domingo, apresentou a renúncia ao cargo.

A braços com a nova crise governativa, o presidente italiano chamou Carlo Cottarelli, de 63 anos, para uma reunião em Roma onde o convidou para formar um governo. Nascido na cidade de Cremona, na região da Lombardia, Cottarelli começou a carreira no Banco de Itália, depois de completar um mestrado em Londres, na London School of Economics.

Mas a passagem pela esfera financeira italiana foi curta. Em 1988 mudou-se para Washington, onde ficou durante 25 anos como economista no Fundo Monetário Internacional. Até 2013, Cottarelli foi relativamente desconhecido em Itália, ano em que o primeiro-ministro Enrico Letta o chamou para ser comissário extraordinário para a revisão de despesa pública.

Foi nesse cargo que ganhou a alcunha de “senhor tesouras” em Itália, devido às suas “tentativas, maioritariamente falhadas, de identificar e cortar os excessos na administração pública”, como explica o jornal italiano Repubblica. Naturalmente um tecnocrata, Cottarelli regressaria ao Fundo Monetário Internacional um ano depois por decisão do primeiro-ministro Matteo Renzi, que o nomeou diretor-executivo do FMI para Itália.

O trabalho no FMI e no Banco de Itália dá a Cottarelli — que agora, após se ter aposentado do FMI em 2017, era diretor do Observatório das Contas Públicas da Universidade Católica de Milão — as competências técnicas que Mattarella queria para um governo capaz de conduzir o país a novas eleições até ao final do ano.

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