OCDE

Álvaro Santos Pereira recomenda “nova onda de reformas” em Portugal

O economista chefe da OCDE, Álvaro Santos Pereira defendeu esta quarta-feira em Paris que Portugal precisa de "uma nova onda de reformas" nos próximos anos.

Pedro Nunes/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O economista chefe em exercício da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Álvaro Santos Pereira, defendeu esta quata-feira, em Paris, que Portugal precisa de “uma nova onda de reformas” nos próximos anos.

O ex-ministro da Economia, que falava à margem da apresentação das perspetivas económicas da OCDE, destacou que, apesar de a organização “prever um crescimento da economia portuguesa a rondar os 2,2% este ano e no próximo”, são precisas novas reformas, senão “o crescimento vai parar”.

“Para mim, é mais do que evidente — e tenho dito isso muito claramente — para os próximos anos tem de haver uma nova onda de reformas. Se não houver uma nova onda de reformas, o crescimento vai parar, tão simples como isso”, afirmou.

Álvaro Santos Pereira precisou que as reformas devem realizar-se no setor do ensino, mas também se deve “continuar a melhorar o clima de negócios”, apesar de ter havido “uma grande melhoria nos últimos anos”.

O economista chefe em exercício da OCDE defendeu, ainda, a redução da carga fiscal, principalmente ao investimento: “Precisamos de atrair mais investimento e só baixando a nossa taxa de IRC para níveis competitivos vamos conseguir atrair mais investimento. Acho que isso é fundamental”, sustentou.

Álvaro Santos Pereira acrescentou que “é importante baixar a carga fiscal das famílias” e “fazer uma reforma fiscal que alargue a base fiscal”, com “menos isenções para empresas ou para indivíduos com maiores rendimentos”.

“Ao mesmo tempo que se alarga a base fiscal consegue-se aumentar rendimentos e baixar as taxas de IRC, e depois de IRS, que são fundamentais”, concluiu.

No setor do ensino, Álvaro Santos Pereira afirmou que “houve já uma grande melhoria nos últimos anos, mesmo nos indicadores do PISA, para Portugal”, mas o país continua “a ter um sistema vocacional de ensino profissional que ainda não responde às necessidades dos mercados”.

“Nós achamos que é muito importante haver primeiro uma auditoria de tudo o que é sistema de formação em Portugal, para selecionar o trigo do joio, mas depois principalmente avançar com uma integração do sistema profissional que existe no IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional] com o sistema educativo que é tutelado pelo Ministério da Educação. Portanto, apostar num sistema dual de aprendizagem para que as nossas empresas possam suprir as suas necessidades de mão de obra”, recomendou.

O economista resumiu, ainda, que nas previsões da OCDE a taxa de desemprego em Portugal vai “continuar a baixar já para níveis abaixo de 7% em 2019” e que “o investimento vai continuar a recuperar”.

“O investimento público vai certamente aumentar, até por causa do maior impacto dos fundos estruturais, mas também as exportações vão continuar a estar bastante saudáveis e, portanto, é importante que a economia continue neste caminho”, explicou.

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