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Óbito

Morreu Fernando Guedes, o histórico líder da Sogrape

1.952

Começou como aprendiz de tanoeiro e ascendeu a presidente de uma das maiores empresas portuguesas de vinhos. Fernando Guedes faleceu esta manhã. Tinha 87 anos.

RUI DUARTE SILVA

Fernando Guedes, um dos homens responsáveis pelo sucesso da Sogrape, morreu esta quarta-feira de manhã, aos 87 anos.

Fernando Guedes era o mais velho dos sete filhos de Fernando van Zeller Guedes e de D. Maria Amália Cabral Lopo de Vasconcelos van Zeller Guedes. Nasceu a 29 de dezembro de 1930, na Quinta da Aveleda, na região dos vinhos Verdes. O nascimento, segundo disse à Notícias Magazine em 2012, ter-se-á precipitado depois de a mãe ver “um ratito”. Do susto veio um filho que, anos mais tarde, até viria a passar pela Faculdade de Economia de Lisboa. Longe dos números, foi no vinho que encontrou uma profissão e uma carreira para a vida.

A entrada na Sogrape acontece em 1952, já a empresa era conhecida por produzir o famoso vinho Mateus Rosé. O futuro presidente começou como aprendiz de tanoeiro. Lavava, apertava e pintava barris, tal era a vontade do pai. Um ano depois rumava para territórios franceses para tirar o curso de Enologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Dijon. Regressado, em 1956, assumia a direção técnica da empresa — coube-lhe a responsabilidade sobre novas tecnologias, compra de vinhos e desenvolvimento de infra-estruturas, incluindo a construção e o equipamento de novas adegas. “O curso em Dijon rasgou-me perspetivas”, recordou em vida, para depois assegurar que fora com a ajuda do pai, juntamente com “alguns homens extraordinários”, que aprendera a servir a empresa. Os elogios ao pai, fundador da empresa que Fernando serviu durante toda a vida, eram constantes. Repetidos com orgulho.

Fernando Guedes reformou-se aos 70 anos, tranquilo com a decisão de pôr o futuro da empresa nas mãos dos filhos — Salvador, Manuel Pedro e Fernando, atual CEO do grupo. Achou, então, que os filhos estavam à altura do desafio e melhor preparados tecnicamente. Uma década depois, somando 80 anos no BI e oficialmente afastado da empresa, fazia por manter a rotina de trabalho e, todos os dias pela manhã, marcava presença no escritório. As visitas às quintas e às adegas da empresa mantinham-se regulares, não só aquelas em território nacional, mas também as que ajudou a construir e a equipar no Chile e na Argentina. Fernando Guedes gostava de estar “por dentro das coisas”, como ressalva uma nota biográfica enviada pela Sogrape à redação — empresa que não fará qualquer comunicado.

Em vida foi colecionador de títulos — em 2010, foi eleito “Produtor Europeu do Ano” pela revista norte-americana Wine Enthusiast; mais recentemente, foi considerado o “Sr. Vinho” pela revista Grandes Escolhas e recebeu o “Prémio Homenagem” da Revista de Vinhos. A Associação Empresarial de Portugal, que já lamentou a morte de Guedes, descreve-o como “um dos maiores empresários portugueses das últimas décadas”.

Além do percurso já descrito, Fernando Guedes foi um dos três primeiros enólogos portugueses diplomado. Diploma esse que o permitiu, nas décadas de 60 e 70, contribuir para o crescimento “exponencial” das vendas em todo o mundo do Mateus Rosé. Foi o sucesso comercial deste vinho diferente, por vezes criticado, que permitiu à empresa liberdade financeira para criar e adquirir outros rótulos — incluindo o duriense Barca Velha, tido como o vinho português mais caro (valor que varia consoante o ano de colheita).

A revista Grande Escolhas, dedicada em exclusivo ao universo do vinho, assegura que Fernando Guedes, que assumiu a presidência da Sogrape em 1987, é um dos arquitetos daquela que é uma das maiores empresas de vinhos no país. Entre os muitos rótulos que facilmente se identificam no vasto espólio da empresa está o Legado, que resulta precisamente do desafio que o próprio incutiu à equipa de enologia em 2008. O vinho nascido nos socalcos do Douro — cuja colheita mais recente data de 2013 — pretende simbolizar a obra que o pai de Fernando Guedes, o fundador da Sogrape, iniciou em 1942. “Este vinho retrata tudo aquilo que aprendi e recebi de meu Pai”, reforçou em tempos.

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