As rendas em atraso nos bairros sociais atingiram os 48 milhões de euros num universo que conta com mais de 80 mil famílias, segundo a edição impressa do Jornal de Notícias.

A área metropolitana de Lisboa é a zona do país que regista maior incidência de incumprimentos. Apesar de ser na capital que a renda média é mais elevada, o valor médio das rendas não é muito diferente na maior parte dos concelhos. Ao todo, nos 13 concelhos que compõem a Grande Lisboa, a dívida ascende aos 25,7 milhões.

O concelho de Loures é o concelho com maior taxa de incumprimento, a rondar os 40,5%, com uma dívida a rondar os 10,6 milhões de euros. Segue-se Lisboa e Oeiras, com taxas de incumprimentos de 12,7% e 23% e dívidas de 6 milhões de euros e 3,2 milhões de euros, respetivamente.

Os valores médios das rendas são, quase todos, abaixo dos 60 euros, com as exceções de Lisboa (82,25 euros), Vila do Conde (71,53 euros), Matosinhos (61,36 euros) e Oliveira de Azeméis (60,94). No Porto a renda fica pelos 56,05 euros.

No entanto, é também na grande Lisboa que estão as rendas médias mais baixas: Barreiro (16 euros) e Almada (23,45 euros). As populações destas áreas têm, no entanto, um nível de fragilidade económica mais acentuado.

Em Loures, 1.235 dos 2.633 inquilinos são devedores. Com uma renda média de 46,54 euros, a câmara fechou o ano de 2017 com 40,49% dos seus inquilinos em incumprimento. Apesar de tudo houve uma melhoria de 2% em relação ao ano de 2016.

De forma a recuperar o dinheiro, as câmaras procuraram celebrar acordos de regularização com as 5.500 famílias que subscreveram o acordo. Porém, 2507 dessas famílias voltaram a cair em incumprimento.

Em declarações ao JN a câmara de Lisboa afirmou que “os dados recentes apresentam uma descida do número de famílias em incumprimento, especialmente em comparação com os anos de maior impacto da crise económica”. Sublinha ainda que muitas das pessoas com dívidas recorrem ao subsídio de Natal para “liquidar as rendas em atraso”.