A proposta que o Governo português apresentou à equipa de Paddy Cosgrave para manter a Web Summit em Lisboa estará “em desvantagem” face às candidaturas que estão a ser feitas pelas “grandes cidades” — aquelas que já receberam eventos internacionais desportivos à escala de um Mundial de Futebol ou de uns Jogos Olímpicos, como Londres, Madrid ou Paris, apurou o Observador.

A Web Summit trocou a cidade de onde é originária, Dublin, por Lisboa, em 2015, depois de a organização ter assinado um contrato de três anos (com possibilidade de extensão por mais dois) com a capital portuguesa. O investimento de 3,9 milhões de euros para os três anos (2016, 2017 e 2018) foi financiado pelo Turismo de Lisboa, Turismo de Portugal e pela AICEP em 1,3 milhões de euros por ano.

Ainda não se conhecem os valores da proposta pós-2018, mas tal como avançou o Eco esta sexta-feira, o plano passa por um contrato de cinco anos, seguidos de outros cinco. Ou seja, o objetivo do Governo é manter a conferência no país até 2028. Estão envolvidas nas negociações o Ministério da Economia, o ministro adjunto Pedro Siza Vieira e Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. António Costa também estará envolvido no processo.

Não é só Valência. Há pelo menos mais oito cidades a querer a Web Summit

Em junho, o Observador avançou que havia pelo menos mais oito cidades a querer a Web Summit: Munique, Paris, Londres, Berlim, Madrid, Milão, Bilbao e Valência. A proposta de Valência, conhecida na mesma altura, prevê um investimento de 25 milhões de euros para os próximos cinco anos, em dinheiros públicos. Mas se juntarmos a este apoio público direto o apoio em infraestruturas o valor total ultrapassará os 170 milhões de euros.

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De acordo com o que o Observador apurou, as grandes cidades estarão a reagir aos valores anunciados por Valência — o único investimento que é publicamente conhecido — e a colocar a conferência à escala de um evento desportivo internacional. Para os Jogos Olímpicos de 2012, Londres investiu cerca de 10 mil milhões de euros, por exemplo. O retorno terá sido na ordem dos 11 mil milhões de euros, segundo a BBC.

Contactada pelo Observador, fonte oficial da Web Summit disse apenas que o número de cidades a competir pelo evento em 2019 está a diminuir e que as negociações com os diferentes governos ainda estão a decorrer. Não prestou mais esclarecimentos sobre o processo de seleção das cidaddes.

O Governo português estima que cada edição da conferência tecnológica tenha um impacto de cerca de 300 milhões de euros anualmente, para a economia local. A edição de 2018 realiza-se entre 5 e 8 de novembro em Lisboa, na Altice Arena e na FIL. São esperadas mais de 70 mil pessoas de 170 países, segundo a organização.

Na edição do ano passado, participaram no evento, segundo a organização, 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, duas mil startups, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas acreditados. Fundada por Paddy Cosgrave, na Irlanda, em 2010, a Web Summit tornou-se num dos eventos de empreendedorismo e tecnologia mais importantes do mundo.