Poucos minutos depois de o The New York Times publicar que o Facebook ia revelar que tinha banido dúzias de contas que tinham como objetivo desestabilizar as próximas eleições intercalares nos Estados Unidos da América (EUA), a rede social divulgou em comunicado que removeu de facto esta terça-feira 32 páginas que estavam coordenadas para um ataque de “comportamento desapropriado”. Estas contas do Facebook e Instagram estariam a criar vários eventos de protesto na capital dos EUA, Washington, D.C., com o único propósito de provocar discórdia entre os eleitores, segundo as explicações dadas pela rede social.

No comunicado, a empresa revela que desde maio de 2017 estas páginas, que tinham, no total, cerca de 290 mil contas a seguirem-nas, criaram cerca de 30 eventos e pagaram um total de 11 mil dólares (cerca de 9400 euros) por 150 anúncios. Apesar de a rede social ainda estar a investigar o sucedido, alguns desses anúncios deste ataque coordenado mostram posições em páginas como a “Black Elevation”, que incentivaria o orgulho de se ser negro, a outras publicações de contas de ativismo feminista como a Resisters “contra o fascismo”. Objetivo final? Incendiar os ânimos em protestos para criar divisão, afirma a rede social.

(Dois dos posts partilhados pelo Facebook como exemplo das partilhas destas páginas banidas)

Tendo já avisado as autoridades competentes americanas, o Facebook divulga que não conseguiu encontrar a fonte destas páginas, como no caso do grupo russo IRA (Internet Research Agency) responsável por, no passado, por publicações deste tipo com o objetivo de desestabilizar eleitores e consequentemente, as eleições nos Estados Unidos da América.

Um dos eventos criados para condicionar a opinião pública era uma versão contrária ao “Unite The Right”, um protesto de extrema-direita que, em agosto de 2017, causou uma morte. No protesto em Charlotesville, um jovem de 20 anos no protesto conduziu um carro contra um grupo de contra-manifestantes e acabou por matar uma mulher de 32 anos.

A imagem do evento agora cancelado criado para criar desestabilização social

O Facebook brevemente vai divulgar mais informações quanto a esta investigação e quanto a outros grupos que possam existir na rede social, potencialmente ligados a russos. A rede social divulgou ainda que quem tem criado estas contas para criar momentos de desestabilização social antes das eleições intercalares têm investido mais esforços para mascarar a identidade dos verdadeiros autores (e, consequentemente, motivos por detrás da criação destas campanhas, grupos e eventos).

A investigação do Facebook à influência da Rússia em eleições americanas pode parecer saída de um tempo de guerra fria, mas em outubro de 2017 a rede social confirmou que milhares de anúncios foram pagos por “agentes russos”. Depois de o caso Cambridge , em março deste ano, em que milhares de perfis foram copiados indevidamente pela empresa de análise de dados indevidamente para condicionar eleições através da publicidade nas plataformas do Facebook, a gigante de Mark Zuckerberg tem investido numa campanha de maior transparência para mostrar quem patrocina os anúncios de caráter político na rede social.

Facebook confirma interferência russa nas eleições americanas: anúncios chegaram a 126 milhões de americanos