“Acredita que o Reino Unido ficará melhor fora da União Europeia?” A pergunta foi feita seis vezes, na terça-feira, ao líder da oposição britânica, Jeremy Corbyn, e também por seis vezes o líder do Labour fugiu à questão. Em declarações ao Channel 4, durante uma viagem pela Escócia, o líder dos trabalhistas britânicos foi dizendo que queria ter as melhores relações com a União Europeia, que ia tentar negociar da melhor forma possível com Bruxelas e que os resultados do referendo são para rejeitar. Mas nunca respondeu se achava que o Reino Unido estava melhor fora da UE.

Primeira vez:

A primeira questão do jornalista foi clara: “Acredita honestamente que o Reino Unido está melhor fora da União Europeia?”

A resposta de Corbyn foi evasiva: “Eu quero que tenhamos um bom relacionamento com a UE. É algo que temos que fazer para manter empregos. Isso tem de ser agora a prioridade e, para isso, temos de ter uma relação comercial efetiva que inclua uma união aduaneira com a União Europeia.

Segunda vez:

O jornalista insistiu: “Fiz-lhe uma pergunta à qual gostaria muito que me respondesse. Acredita, honestamente, que o Reino Unido está melhor fora da União Europeia”.

Corbyn voltou a fugir: “Estamos a negociar aquela que será no futuro a relação entre o Reino Unido e a União Europeia, que deve manter esse relacionamento comercial. É o que temos de fazer. Temos de defender os postos de trabalho e temos de ter um alinhamento com a União Europeia e uma regulamentação que garanta que se mantêm as normas alimentares, ambientais e de emprego”.

Terceira vez:

Jornalista: “Se for eleito, será o primeiro-ministro a consumar o Brexit. Por isso, quero saber se pensa, honestamente, que o Reino Unido está melhor fora da UE do que dentro.”

Corbyn volta a não responder: “O primeiro-ministro que consumar o Brexit, se formos nós, vamos ter de assegurar que o Brexit não irá prejudicar o nível de vida dos britânicos, mas também vamos ter a  oportunidade de negociar noutros lugares. Esse tem de ser o ponto.” 

Quarta vez

O jornalista insiste outra vez: “Mas você está a falar sobre a limitação de danos, eu quero saber se pensa que o Reino Unido vai ficar melhor fora da União Europeia”.

Corbyn repete a fuga: “A resposta é, simplesmente, a que lhe estou a dar. Houve um referendo, uma decisão foi tomada, temos de respeitar o resultado desse referendo e negociar uma relação comercial com a União Europeia para defendermos os empregos e os níveis de vida que existem neste país. E essa é a prioridade que o Partido Trabalhista adotará e vamos impedir que os Conservadores [partido de Theresa May, no poder] tivessem um “No Deal Brexit” que seria avançar para um precipício, seria destrutivo para os nossos empregos e a nossa indústria.”

Quinta vez:

Jornalista: “Mas porque não me pode dizer se o Reino Unido ficaria melhor fora da UE? Certamente, como primeiro-ministro, quer o melhor para este país. O que nos tornaria mais prósperos?”

Corbyn volta a não responder: “Quero que a Grã-Bretanha esteja tão bem quanto possível em qualquer circunstância. E nós vamos negociar com a União Europeia para fazer exatamente isso. Também vamos assegurar que vamos ter relações comerciais com o resto do mundo.”

Sexta e última vez:

Jornalista: “Uma última vez: pensa que estaremos melhor fora da União Europeia.

Corbyn, não responde, mas mostra que está atento e é de boas contas: “Já respondi a essa pergunta cinco vezes”.

Jornalista:Mas não disse se acha que estamos melhor fora da UE ou não!”

Corbyn: “Eu respondi à pergunta cinco vezes e, pela sexta vez, vou repetir. A prioridade do Partido Trabalhista é negociar uma relação comercial com a União Europeia para proteger empregos e defender o nível de vida que temos por via da regulamentação, mas também para garantir que os empregos na indústria da manufatura e na cadeia de distribuição alimentar estejam protegidos”.

Jeremy Corbyn recusou-se, assim, a responder à única pergunta que o jornalista lhe fez: se acreditava que o Reino Unido estaria melhor fora da União Europeia. A recusa em responder é estratégica. Corbyn já chegou a admitir votar contra o Brexit se o Reino Unido não mantivesse uma união aduaneira com a UE, pois sabe que o fim do acordo comercial terá um impacto muito negativo na economia britânica.