Ana Botín, a presidente executiva do Grupo Santander, é considerada pela Forbes uma das 10 mulheres mais influentes do mundo. Esta semana, a banqueira decidiu tornar pública a sua opinião sobre um dos temas mais polémicos, mediáticos e controversos do momento: o feminismo e a igualdade de género. Decidiu partilhar na própria página do LinkedIn um longo texto onde sustenta e baseia o facto de se assumir como feminista e de achar que é importante que isso seja conhecido por todos — texto esse agora divulgado pelo El País.

A espanhola de 57 anos começa por contar que decidiu tornar pública a sua opinião sobre um assunto tão fraturante depois de uma entrevista que deu na Cadena Ser antes do verão.

Quando me perguntaram se era feminista, respondi que sim de forma instintiva. E na verdade não duvidei. Curiosamente, a minha resposta causou surpresa, apoio, algumas críticas ao muito e bem-vindo debate!”, recorda Ana Botín.

A presidente do Grupo Santander revela depois que, há 10 anos, a resposta teria sido diferente – mas rejeita qualquer “processo de conversão”.

“Já levo muitos anos enquanto executiva. Anos em que vi o suficiente para saber que, de forma geral, as mulheres não recebem um tratamento justo. Ouvi o feminismo ser equiparado com frequência ao estabelecimento de quotas, algo que instintivamente não me parecia a resposta adequada”, explica Ana Botín, para depois sublinhar que homens e mulheres são diferentes “física e psicologicamente” mas “é significativo que as mulheres “estão expostas a experiências e expectativas muito diferentes” ao longo da vida e dos percursos profissionais.

No longo texto, em que Ana Botín cita a poeta Maya Angelou, a escritora Sheryl Sandberg e a socióloga Zeynep Tufekci, a banqueira explica que a sua opinião sobre o feminismo não se pauta pela “auto-suficiência” – ou seja, a necessidade de uma mulher de trabalhar mais, de se fazer valer por si própria e não se assumir sequer como feminista. A presidente do Grupo Santander esclarece que, na sua opinião, “ainda que as mulheres necessitem de aprender a defender-se melhor, a ser mais assertivas, estes esforços individuais não serão suficientes para conseguir a mudança de que precisamos”.

Além de talento, as mulheres trazem para o negócio competências que complementam as dos homens: melhor comunicação interpessoal, cooperação, pensamento horizontal e capacidade de realmente ouvir. Também maior empatia e capacidade de priorizar”, defende Ana Botín, que depois destaca as medidas de igualdade de género implementadas no Grupo Santander nos últimos anos.

Ana Botín vinca então que “com os anos” percebeu que a atitude e a postura adotada pelas mulheres não é o suficiente para atingir igualdade de género no meio laboral. “Quando são muito qualificadas, as mulheres ficam mais inseguras e são menos insistentes do que os homens. Quando se procura talento, portanto, é importante contar com um sistema capaz de identificar estas mulheres, oferecendo formação para melhor a sua assertividade e valorizando estas diferenças entre homens e mulheres”, atira.

A espanhola aponta ainda a importância das redes sociais e da comunidade digital para o fim do isolamento que a discriminação ou mesmo o assédio sexual provocavam e atribui muita importância ao ato de denunciar estes crimes “de forma coletiva”.

“Hoje estou consciente de que dizer estas coisas publicamente, de forma solidária com outras mulheres, tem o poder de fazer mudar. Estou consciente de que estou numa posição privilegiada para o fazer. Assim, quando o faço, não o faço só por mim mesma. Faço-o, em conjunto com a grande maioria dos homens que nos apoiam, por todas as mulheres. Por isso, o meu feminismo é agora público. E talvez o teu também deveria ser”, afirma Ana Botín.