O primeiro-ministro está a ser criticado nas redes sociais por ter usado calças de ganga e mocassins à chegada a Angola. António Costa aterrou em Luanda na manhã desta segunda-feira para uma visita oficial e foi recebido com uma ala militar no aeroporto pelo ministro dos Negócios Estrangeiros angolano, Manuel Domingos Augusto. Ao Observador, fonte do executivo esclarece que esta não foi uma chegada com honras militares, mas sim uma “chegada informal”.

António Costa e Manuel Domingos Augusto passaram lado a lado pela guarda militar no aeroporto de Luanda — o governante angolano de fato completo e gravata, o chefe do Governo português com blazer, camisa sem gravata, calças de ganga e mocassins.

O primeiro ponto oficial do programa, assegura a mesma fonte, constou numa passagem pelo Museu de História Militar, uma vez que esta segunda-feira se celebra o dia dos heróis nacionais. As honras militares, essas, estão previstas para terça-feira, quando António Costa se encontrar com o presidente angolano, João Lourenço, no Palácio Presidencial.

“Eu tenho imensas dúvidas se usaria esta mesma calça jeans para ser recebido numa vista oficial num país europeu ou americano”, lê-se num comentário publicado na fotografia oficial partilhada na conta oficial do Twitter do primeiro-ministro. “Chega assim de jeans por ser África?”, pergunta outro utilizador.

“Isso é maneira de vestir numa visita de Estado?”, questiona um outro utilizador. Outro diz ainda: “Um fatinho não lhe ficava nada mal, senhor primeiro-ministro”. “Que sentido de Estado é este?”, pergunta outro utilizador.

Numa primeira conversa, após a chegada, com o representante do governo angolano, António Costa manteve o estilo informal. Só mais tarde, no seguimento do programa da visita, o governante português mudou para um fato e gravata, como se vê nas outras fotografias partilhadas na sua conta oficial.

“Foi uma escolha infeliz”

António Costa foi recebido, esta segunda-feira, por uma entidade governamental, por um ministro. “Pelo cargo e pela função, pelo ato de ser recebido, tinha de ter vestido fato e gravata”, explica ao Observador Maria Duarte Bello, com experiência em imagem e protocolo desde 1993. “O fato informal que usou seria apropriado a uma visita a instalações do tipo fábrica”, acrescenta, apontando o dedo ao gabinete de protocolo, que tem o dever de avisar Costa sobre quem o vai receber. “Não digo que tenha sido feito de propósito, mas é uma gaffe.”

Para o país anfitrião, o facto de uma pessoa não estar vestida adequadamente pode ser visto como uma ofensa, por não ser uma mostra de consideração, diz ainda Maria Duarte Bello. Apesar de existirem ocasiões para tudo, o fato e a gravata seriam, neste caso, indispensáveis. “Foi uma viagem longa, mas a pessoa pode ir de uma maneira dentro do avião e mudar de roupa antes de aterrar”, atesta.

Teresa Byrne, que já trabalhou na Presidência da República, onde acumulou as funções de Adjunta Política e Responsável de Protocolo da Casa Civil, garante que, à semelhança do ministro dos Negócios Estrangeiros, António Costa deveria ter optado por um fato escuro, camisa branca e gravata. “Ser recebido no aeroporto, com forças em parada, requer um dress code apropriado, requer o fato escuro”, continua.

“Acho que a escolha dele está a causar muita celeuma, mas não vejo isto como uma ofensa ao país anfitrião, de maneira nenhuma. António Costa optou por ir mais informal por ser uma viagem longa, mas isso não invalida que os chefes de Governo tenham de escolher o traje adequado. Foi uma escolha infeliz.”