A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o incêndio que deflagrou na noite de sábado em Sintra e que deflagrou depois ao concelho de Cascais, confirmou fonte da PJ ao Observador. “A Polícia Judiciária foi ativada e está a investigar”, disse a mesma fonte.

A PJ terá sido acionada pelas primeiras entidades que chegaram para o combate ao fogo. A brigada de incêndios da PJ de Lisboa e Vale do Tejo encontra-se no local para “confirmar se existe a possibilidade de se tratar de um fogo doloso“, isto é, fogo posto, adiantou a mesma fonte. Não foram, até ao momento, efetuadas detenções.

A investigação a este incêndio — como a qualquer outro — é dificultada pelo próprio fenómeno. Além de não permitirem que a PJ atue de imediato, as chamas podem também destruir provas essenciais à investigação. Só depois de extinto — o incêndio foi dominado ao final desta manhã de domingo —  é que os elementos da PJ podem avançar com as diligências. Um dos primeiros objetivos será perceber onde e como começou o incêndio.

“Bem-vindos ao inferno.” A luta dos bombeiros, o vento que não deu descanso e os concelhos que não dormiram

Três focos de incêndio em nove minutos

Em nove minutos — entre as 00h16 e as 00h25, quando as chamas já lavravam no Parque Natural de Sintra-Cascais há mais de uma hora — três incêndios deflagraram em Odivelas e Sintra: primeiro teve início às 00h16 em Agualva-Cacém, em Sintra,  e esteve a ser combatido por mais de uma dezena de operacionais e uma viatura. Às 00h21 outro fogo foi detetado no Bairro dos Carrascais, em Odivelas, envolvendo 14 operacionais e quatro viaturas. O terceiro fogo deflagrou às 00h25, em Caneças.

Num ponto de situação da Proteção Civil, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, sem querer especular sobre a origem do incêndio, também acrescentou um dado relativamente a este aspeto: “No dia de ontem [sábado] não foi apenas uma ignição, foram duas ignições — uma que foi rapidamente debelada, e esta. Na semana foi a terceira“.

O autarca explicou que a primeira ignição aconteceu ao “final da tarde, meio da tarde” numa “zona completamente diferente de onde esta nasceu”, e que, “de facto, estas ignições não são nos mesmos locais”. “Aliás, esta nasce não no concelho de Cascais, embora o concelho de Cascais seja a área que mais ardeu”, precisou.

A longa noite de combate às chamas em Sintra e Cascais em imagens

Este será um dado que a PJ terá em consideração na investigação. A brigada de incêndios tentará averiguar se este três focos de incêndios foram coincidência — motivados pelo vento ou por animais que, depois de terem pegado fogo, tenham fugido e levado consigo fagulhas — ou se teve mão criminosa.

Horas antes do início deste incêndio na Serra de Sintra, o comandante operacional da Proteção Civil Pedro Nunes tinha chamado à atenção para o perigo das atuais condições meteorológicas. “Para os próximos dias, podemos esperar condições meteorológicas muito idênticas aquelas que temos vindo a observar desde dia 1, ou seja, um tempo seco, com bastante vento, moderado a forte, com especial incidência nas terras altas. A humidade relativa vai permanecer extremamente baixa, quer no período diurno quer no período noturno”, tinha alertado, anunciado que o risco de incêndio se iria manter elevado em todos os distritos até ao dia 10 de outubro.

Proteção Civil. Cerca de 640 fogos desde 01 de outubro, risco mantém-se elevado