Assalto em Tancos

Debaixo de fogo, ministro da Defesa justifica ausência ao lado de Marcelo com agenda cheia

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Depois de falhar as cerimónias do 5 de outubro, o ministro da Defesa, debaixo de fogo por causa do caso de Tancos, não esteve numa cerimónia militar com Marcelo, mas justifica-se com agenda cheia.

O ministro Azeredo Lopes numa reunião de ministros da Defesa da NATO na semana passada

OLIVIER HOSLET/EPA

O Ministério da Defesa Nacional justificou a ausência do ministro Azeredo Lopes junto a Marcelo Rebelo de Sousa, esta terça-feira, na cerimónia de aniversário da esquadrilha de helicópteros da Marinha, com a agenda cheia do governante. “Face a notícias divulgadas nas últimas horas que sublinham a ausência do Ministro da Defesa na cerimónia”, o ministério esclarece que “da agenda do Ministro da Defesa para terça-feira, 9 de outubro, constavam diversos eventos, alguns dos quais em preparação há vários meses”.

Segundo uma nota enviada pelo ministério às redações, o dia de Azeredo Lopes começou cedo, às 8h da manhã, com um encontro com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini. “Os jornalistas que assim entenderam puderam captar imagens da chegada” de Mogherini ao edifício do ministério, destaca o comunicado. Depois, o ministro da Defesa esteve em Ayamonte, Espanha, para um encontro com a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, dedicado à apresentação das Cartas Hidrográficas do rio Guadiana. Novamente, o ministério nota que “deste evento se fez pública nota, como atesta a presenças de diversos jornalistas em representação de órgãos de comunicação social portugueses e espanhóis”.

À tarde, Azeredo Lopes “regressou a Lisboa ao princípio da tarde para participar na reunião do Conselho de Ministros onde esteve a ser debatido o Orçamento Geral do Estado para 2019” e, depois, seguiu para a Presidência da República, onde assistiu “à condecoração de diversas individualidades militares e civis” por parte de Marcelo Rebelo de Sousa. A nota do ministério lembra ainda que o gabinete de Azeredo Lopes esteve representado na cerimónia pelo secretário de Estado Marcos Perestrello.

Recorde-se que o ministro da Defesa tem estado particularmente debaixo de fogo por causa do caso do roubo de armas em Tancos depois de, na semana passada, o Expresso ter noticiado que o gabinete de Azeredo Lopes tinha sido informado da suposta encenação do reaparecimento do material de guerra por parte da Polícia Judiciária Militar um mês depois da descoberta das armas na Chamusca. O gabinete de Azeredo negou a notícia.

Desde essa altura, as aparições do ministro têm sido raras. Ausente das cerimónias do 5 de outubro (por se encontrar em Bruxelas numa cerimónia da NATO), o ministro só voltou a aparecer esta segunda-feira, ao lado de António Costa na base aérea de Monte Real, onde o primeiro-ministro reforçou a confiança em Azeredo Lopes, “um ativo importante” no Governo.

A Polícia Judiciária está a investigar não apenas o desaparecimento das armas como também o reaparecimento num terreno da Chamusca. A tese da PJ é que elementos da Polícia Judiciária Militar encenaram o reaparecimento das armas para não perderem a investigação para a Polícia Judiciária e alertaram o campo militar através de uma chamada anónima. Esses elementos, entre os quais se inclui o antigo diretor da PJM, também terão ocultado a identidade dos alegados assaltantes à PJ.

Além da expectativa sobre se o ministro da Defesa iria aparecer ou não ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa, a cerimónia desta terça-feira na base do Montijo ficou ainda marcada pela tensão entre o atual Presidente da República e o antigo presidente Cavaco Silva, que se tem vindo a acentuar nas últimas semanas com trocas de indiretas. Depois de Cavaco ter criticado a não recondução de Joana Marques Vidal no cargo de procuradora-geral da República, Marcelo respondeu — sem responder –, que “por uma questão de cortesia e de sentido de Estado” não iria comentar as palavras do seu antecessor, tal como não irá comentar as ações dos seus sucessores.

Desta vez, Marcelo e Cavaco estiveram lado a lado — e Marcelo até elogiou Cavaco sobre o seu papel enquanto primeiro-ministro na criação daquela unidade de helicópteros — mas as tensões foram evidentes. Trocaram um aperto de mão e poucas palavras, e no final saíram em direções opostas.

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