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Bruno de Carvalho

Bruno de Carvalho foi ao DCIAP, passou para o DIAP mas não vai ser (para já) ouvido no caso da Academia

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Bruno de Carvalho apresentou-se primeiro no DCIAP, por iniciativa própria. Queria ser ouvido a propósito do caso da invasão da Academia, mas processo é do DIAP de Lisboa. Intenção acabou adiada.

RODRIGO ANTUNES/LUSA

Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting destituído em Assembleia Geral a 23 de junho, queria ser ouvido esta quinta-feira no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP), no âmbito do caso da invasão à Academia do clube em Alcochete e das últimas informações que o ligavam ao caso, mas essa intenção acabou por ser negada nesta fase.

Antes, Bruno de Carvalho já se tinha apresentado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal, onde terá pedido para apresentar um requerimento, mas foi informado de que o processo não está a ser investigado naquele local e sim no DIAP, no Campus da Justiça, sob a coordenação da procuradora Cândida Vilar. Perante essa informação, rumou à zona da Expo acompanhado pelo advogado, José Preto. Fonte ligada ao antigo líder verde e branco explica que a coordenadora do DCIAP já terá notificado o DIAP desse mesmo requerimento e que o mesmo terá sido aceite. Todavia, o DIAP não terá revelado interesse em ouvir o ex-presidente esta quinta-feira, até porque o requerimento deu entrada apenas esta manhã.

O ex-presidente quis apresentar-se de forma voluntária para poder esclarecer as autoridades sobre qualquer eventual ligação que pudesse ser feita neste caso. É por isso que, ao contrário do que chegou a ser avançado, a iniciativa nada teve a ver com a notícia de que haveria 700 mil euros “desaparecidos” nas contas do clube em torno do scouting (ou seja, o dinheiro terá saído mas os relatórios e demais resultados desse investimento não foram encontrados), de acordo com a auditoria forense que está a ser feita pelo Sporting. Não se percebe, ainda assim, porque decidiu fazê-lo naquele local, já que o processo que investiga as agressões corre no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, no Campus da Justiça, e não no DCIAP.

“Confirma-se que o advogado de Bruno de Carvalho se apresentou no DCIAP, requerendo que o seu constituinte fosse ouvido no âmbito do processo relacionado com as agressões em Alcochete. O advogado foi informado de que este inquérito é dirigido pelo Ministério Público do DIAP de Lisboa. Neste contexto, o advogado dirigiu um requerimento ao DIAP de Lisboa, requerimento, esse, que será apreciado no âmbito do referido processo”, explicou o Ministério Público em comunicado.

Esta decisão de Bruno de Carvalho acontece dois dias depois de se saber que teria pedido para ser assistente no processo, mas que essa intenção tinha sido negada por um juiz do Tribunal do Barreiro, por poder colidir com a investigação. Segundo a notícia, avançada pela CMTV, não terão sido adiantadas mais explicações por causa do segredo de justiça, mas essa rejeição estaria ligada ao facto de Bruno de Carvalho ser um dos alvos da investigação que está a decorrer.

De acordo com informações recolhidas pelo Observador, terá sido nesse momento que Bruno de Carvalho começou a estudar a ida voluntária ao DCIAP (que neste caso é o DIAP) para prestar declarações. E tudo porque, no momento em que a notícia saiu, o antigo presidente do Sporting ainda não tinha sido notificado de qualquer decisão em relação ao pedido para ser assistente no processo da invasão à Academia. A isso juntou-se também as ligações que começaram a ser feitas a si no seguimento da detenção de Bruno Jacinto, antigo Oficial de Ligação aos Adeptos, presente a juiz de instrução esta terça-feira.

O antigo funcionário do Sporting, que soube na semana passada que estaria de saída do clube e acabou por ver essa mesma rescisão avançar esta segunda-feira, acabou por ficar em prisão preventiva pelo alegado envolvimento no ataque dirigido a jogadores e treinadores. Tal como os outros 37 suspeitos que ficaram sujeitos à medida de coação máxima, pelo perigo de fuga e perturbação do inquérito, está indiciado por terrorismo, ofensa à integridade física, sequestro e ameaça agravada.

Durante as três horas de audição, o ex-Oficial de Ligação dos Adeptos terá dito que avisou André Geraldes, na altura team manager do futebol verde e branco, na véspera do ataque sobre a possibilidade, dando a entender que os elementos mais altos da estrutura estavam a par da possibilidade de haver uma invasão à Academia. Em declarações ao jornal Record, fonte próxima de Geraldes – que não estava em Alcochete aquando da invasão, por preparar a defesa do caso Cashball que foi publicamente conhecido nesse mesmo dia – garantiu que não houve qualquer aviso antecipado de ninguém sobre o ataque e que, caso Jacinto tenha mesmo afirmado isso no Tribunal do Barreiro, irá avançar com uma queixa contra o antigo funcionário.

Outra das fontes contactadas esta manhã pelo Observador contou também que, nos últimos dias, começou a correr um rumor (que, como se percebe agora, não teria grande fundamento) de que Bruno de Carvalho poderia ser chamado pelas autoridades no âmbito do caso do ataque à Academia em vésperas do fim de semana, pelo que, não sabendo nada sobre a veracidade da informação que começou a circular em circuitos mais restritos ligados ao Sporting, decidiu apresentar-se hoje de forma voluntária para fornecer quaisquer esclarecimentos.

Esta quinta-feira, o Correio da Manhã avançou com a informação de que alguns elementos da antiga equipa técnica do Sporting liderada por Jorge Jesus, que prestaram declarações no âmbito do processo da invasão à Academia, em Alcochete, terão associado Bruno de Carvalho ao “ataque” a Rui Patrício no dérbi da penúltima jornada do último Campeonato, em maio. Essa ligação terá sido feita pela conversa que o antigo presidente verde e branco teve, na zona atrás da baliza, com o líder da claque Juve Leo, Nuno Mendes (Mustafá), pouco antes de haver a chuva de tochas e petardos para a zona do guarda-redes.

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