“A tempestade está em entrar em terra aproximadamente entre Figueira da Foz e Aveiro”. O aviso chegava do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), momentos antes de Leslie entrar no continente. Mas a tempestade fez um desvio inesperado em direção a norte e não entrou por Lisboa, como estava previsto. O landfall (toque em terra) foi registado na zona da Figueira da Foz, pelas 22h10, deste sábado.

É uma catástrofe absolutamente inédita, nunca antes vista. Com uma violência e uma força que nos surpreendeu a todos”, descreve João Ataíde, presidente daquela autarquia, em declarações para a SIC Notícias.

Foi naquele concelho que as rajadas de vento atingiram máximos históricos, com o registo de velocidades na ordem dos 176 km/hora. A fase mais crítica não durou mais do que 15 minutos mas foi o suficiente para deixar estragos.

Veja a fotogaleria com imagens de Pedro Agostinho Cruz:

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O presidente da Câmara Municipal de Figueira da Foz explicou que as vias de comunicação ficaram “praticamente todas bloqueadas”. “Felizmente, não temos registo de mortos ou feridos mas há muitas destruição”, acrescentou, sem conseguir fornecer número exatos de quantas estruturas foram destruídas. “Foram centenas de habitações”, disse. João Ataíde adiantou ainda que há uma possibilidade de as escolas da Figueira da Foz não abrirem esta segunda-feira — decisão que não está fechada.

Em princípio — se não for diretamente por essa razão, por uma razão de normalidade — é preventivo não abrir as escolas”, disse.

Jorge Dâmaso, que vive na Figueira da Foz, relatou à SIC Notícias os momentos de pânico que se seguiram à intensificação do vento: “Há carros danificados por causa das árvores, há estores de varandas que voaram. [Foi] uma coisa impressionante, jamais vista”, afirmou o morador, que também ficou sem estores em casa.” Questionado acerca da presença das autoridades na zona, Jorge Dâmaso admitiu que não via “autoridades nenhumas”. “Vejo já pessoas na rua a ver os estragos mas, sinceramente, autoridades não vejo nada. Nem bombeiros nem polícia”, disse ainda.

Uma das primeiras casas a serem atingidas foi a de Cristina Fragata. A força do vento arrancou os estores das janelas e partiu os vidros. A moradora acabou por se fechar na casa de banho — onde ficou mais do que meia hora– porque era a única divisão que não tinha janelas. “Estava a ouvir tudo a partir-se”, recorda. Quando saiu, notou que o sofá, as cadeiras e uma mesa de mármore tinham desaparecido após voarem com o vento, tal era a sua intensidade.

Nas redes sociais, vários utilizadores têm vindo a partilhar imagens e vídeos da destruição na Figueira da Foz. Algumas mostram carros com os vidros partidos, outras mostram ramos de árvores que caíram. Veja na fotogaleria imagens da destruição provocada pela tempestade Leslie.