Quando o The New York Times fotografou Amal Hussein a menina de sete anos já estava bastante subnutrida. “Não há carne, apenas ossos”, dizia Mekkia Mahdi, a médica que a tentava curar, ao jornalista. A reportagem foi publicada a 29 de outubro. A 1 de novembro, a mãe informou o jornal que Amal tinha morrido.

Vários leitores do jornal norte-americano ofereceram dinheiro e afirmaram querer ajudar logo que a reportagem foi publicada. “O meu coração está partido”, disse a chorar ao jornal a mãe da criança. “A Amal estava sempre a sorrir, agora preocupo-me com os meus outros filhos”, continuou. Amal morreu num campo de refugiados, a vários quilómetros do hospital onde foi fotografada.

A guerra da Arábia Saudita no Iémen faz com que 1,8 milhões de crianças estejam subnutridas como Amal. Tanto os Estados Unidos da América, como o Reino Unido, que vendem armas ao país, já insistiram que a Arábia Saudita declarasse um cessar fogo. As Nações Unidas afirmam que oito milhões de pessoas dependem de rações de emergência e que, brevemente, esse número pode ascender as 14 milhões. O país tem cerca de 28 milhões de habitantes, será, assim, mais de metade.

Os jornalistas do New York Times visitaram um dos hospitais onde crianças morrem à fome, devido ao elevado preço de bens alimentares. Os ataques levado a cabo pela Força Aérea da Arábia Saudita fez com que a família de Amal se tivesse deslocado para um campo de refugiados. Amal tinha tido saído do hospital na semana passada, ainda doente, mas como era preciso arranjar espaço para mais pacientes, os médicos tiveram de lhe dar alta. “Não tinha dinheiro para a levar para outro hospital, por isso levei-a para casa”, disse a mãe.

Mesmo tendo recebido críticas pela publicação da imagem, o jornal justificou que o fez para mostrar o que está a acontecer no país. “Amal é árabe para ‘esperança’ e alguns leitores esperaram que a imagem pudesse chamar atenção para esta guerra”. Centenas de milhares de civis já morreram desde que a guerra começou.