Jerónimo de Sousa desconfia dos verdadeiros motivos do CDS para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Tancos, que toma posse esta quarta-feira. Numa entrevista à Rádio Renascença e ao Público, que será publicada na íntegra amanhã, o líder do PCP afirma que os objetivos dos centristas “não são claros”.

“O CDS não só pediu a demissão do ministro da Defesa como de um chefe militar – o chefe de Estado Maior do Exército. Isto não é coisa pequena”, lembrou o secretário-geral comunista. A isto, acresce o facto de ter avançado com a criação da comissão de inquérito ao caso. “Os objetivos do CDS, para mim, não são claros“, resume.

Na origem da polémica esteve um furto de armamento militar na base militar de Tancos há mais de um ano. Para Jerónimo de Sousa, o roubo inicial merece mais atenção do que um eventual encobrimento do reaparecimento do material. “Nem que fosse descoberto que se tinha feito lá um piquenique nas instalações, isso seria grave. Mas estamos a falar de armas, não é coisa pequena. Para quê? Porquê? Quem é que as roubou?“, questionou.

Apesar de desconfiar do CDS, o PCP, garante, parte para a Comissão de Inquérito com uma atitude construtiva. “É num quadro de procura da verdade, de procura de responsabilidades no plano político e acompanhando a investigação criminal que está em curso, que vamos participar na comissão e decidir que, onde existir responsabilidades, naturalmente isto tem de ter consequências”, explicou Jerónimo de Sousa.