Rádio Observador

Bruno de Carvalho

Os testemunhos que incriminavam Bruno de Carvalho e uma peça central: o ex-OLA, Bruno Jacinto

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Três membros da Juve Leo ligaram Bruno de Carvalho às tochas sobre Patrício, Bruno Jacinto revelou que Mustafá confidenciou "luz verde" para ataque. Juiz considerou que esses indícios não são fortes.

Bruno de Carvalho com elementos da Juve Leo, entre os quais Mustafá (à esquerda), no dia do último dérbi com o Benfica

Filipe Amorim / Global Imagens

“Entrei em Alcochete a pé, não foi encapuçado. Fui com o Fernando Mendes, ex-líder da Juventude Leonina, porque dizia que ia ter uma reunião com o Jorge Jesus, que estava marcada por causa do que se passou na Madeira. Agressões? Não sei explicar. A mim só me ligaram a perguntar se podia acompanhar. Sou autorizado a entrar, alguém do Sporting autorizou porque a minha matrícula estava lá. A situação já tinha descambado e o Fernando Mendes só entrou depois. Quando saí, ia eu, o Fernando e mais dois ou três membros que não vou dizer o nome, que estão todos cá fora porque ninguém fez nada”, defendia Nuno Torres, o condutor do BMW azul que entrou e saiu na Academia no dia do ataque, três dias depois do sucedido.

“Sinto-me envergonhado, bastante. Bruno de Carvalho já devia ter saído. Se tem parte do que se passou? Não sei mas inflamou-se o ambiente para esta situação, senti-me utilizado porque pensava que ia resolver as coisas a bem. Apoiei o Bruno de Carvalho porquê? Porque apoiamos? Porque os outros iam ser mais do mesmo. Sou sócio e é difícil chegar a casa e dizer ao meu filho ‘olha, mais um ano’. Queixamo-nos muito da arbitragem mas temos é de fazer mais em campo”, acrescentou em entrevistas a RTP, SIC e TVI. Mais tarde, Nuno Torres seria mesmo detido e ficaria em prisão preventiva tal como todos os restantes implicados no caso. E percebeu-se que parte da história contada não batia certo, por exemplo, com o depoimento de Jorge Jesus, que dizia ter pedido ajuda a Fernando Mendes na altura do ataque porque “estavam a bater nos jogadores” – sinal de que o ex-líder da Juve Leo estaria no interior do recinto durante a incursão. Agora, de acordo com a Sábado, sabe-se que o testemunho de Nuno Torres terá sido um dos que ligou o antigo presidente do Sporting ao ataque.

Segundo o despacho de 38 páginas assinado pela procuradora Cândida Vilar, do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP), a detenção e pedido de prisão preventiva para Bruno de Carvalho teve na sua génese depoimentos de três dos detidos de forma preventiva e também o testemunho de Bruno Jacinto, antigo Oficial de Ligação aos Adeptos (OLA) que não estaria presente em Alcochete quando tudo se passou. A isso juntaram-se depois partes das conversas que foram sendo mantidas entre os arguidos em três grupos de Whatsapp e outros acontecimentos como a chuva de tochas sobre Rui Patrício no último jogo em Alvalade na época de 2017/18, frente ao Benfica – artefactos esses, em grande quantidade, que terão entrado no estádio com autorização do ex-presidente do Sporting. A conversa nesse dia entre Bruno de Carvalho e Mustafá, líder da Juventude Leonina, que foi apanhada por vários fotógrafos, foi também associada a essa combinação.

De referir que, quando o ex-presidente verde e branco se deslocou ao DCIAP (por engano) e ao DIAP para ser ouvido de forma voluntária sobre o caso das agressões na Academia e outros temas que achassem convenientes, estes testemunhos ainda não estariam sistematizados como ficariam mais tarde, o que fez com que todas as diligências ocorressem apenas no domingo – e no domingo porque, como explicou o Observador, a procuradora Cândida Vilar suspeita também de tráfico de droga financiado com a venda de bilhetes para os jogos do Sporting, como o pico da compra e venda de estupefacientes decorreria antes e durante as partidas de futebol em casa do clube leonino como aconteceu nesse dia com o Desp. Chaves.

Recorde-se que, de acordo com o Correio da Manhã, Bruno Jacinto – que sublinhou não ter contacto direto com Mustafá, algo que seria feito por Bruno de Carvalho – referiu ter ouvido por mais do que uma vez o antigo presidente leonino dizer “Quem manda na Juve Leo sou eu” e que, no regresso de avião da Madeira após a derrota do Sporting com o Marítimo, o líder da principal claque do clube lhe disse que iriam a Alcochete com “luz verde” de Bruno de Carvalho. 

Em paralelo, terá existido também um pedido para o alargamento dos prazos de investigação, segundo o Expresso, devido ao “estado atrasadíssimo das perícias” aos telemóveis dos suspeitos e ao testemunho “absolutamente essencial” do então treinador Jorge Jesus, que só pode regressar a Portugal em dezembro “por motivos que se prendem com as autoridades sauditas”, já que o técnico orienta agora o Al Hilal. Neste caso, existe um pormenor em específico encarado como fundamental para se perceber a timeline dos acontecimentos: quem mandou alterar a hora do treino para terça-feira às 17 horas (e porquê).

Certo é que, apesar dos indícios, Bruno de Carvalho e Mustafá saíram esta manhã do Barreiro em liberdade, aguardando o julgamento nessa condição mediante o pagamento de uma caução de 70 mil euros. Ambos terão apresentações diárias junto das autoridades.

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